Nos últimos meses, a febre maculosa voltou a ser tema de preocupação entre autoridades de saúde e a população. Trata-se de uma enfermidade transmitida pela picada de carrapatos infectados, que pode evoluir rapidamente e assumir quadros graves, sobretudo quando o tratamento não é iniciado de forma precoce.
Embora a doença seja frequentemente associada a parasitas presentes em animais de vida livre, como as capivaras, os cães também podem integrar a cadeia epidemiológica e até serem infectados.
Na região Sudeste, a apresentação mais grave da febre maculosa está ligada principalmente à bactéria Rickettsia rickettsii. Vale destacar que o risco de contágio não se limita a quem atua no campo: pessoas que frequentam trilhas, sítios, fazendas e regiões de vegetação densa também podem ter contato com carrapatos contaminados.
“Para que ocorra a transmissão da febre maculosa, é indispensável que o carrapato esteja infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii”, explica a médica-veterinária Carla de Freitas Campos, membro da Comissão de Saúde Única do CRMV-RJ e diretora-adjunta do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz).
Sinais clínicos repentinos
Os primeiros sintomas da enfermidade tendem a surgir de maneira súbita. Os principais incluem febre alta, dor de cabeça intensa, prostração, dores musculares, náuseas e vômitos. Manchas avermelhadas podem aparecer, especialmente nas mãos e nos pés, mas a ausência delas não afasta o diagnóstico.
O intervalo entre a contaminação e o início dos sintomas exige atenção.
“O período de incubação pode variar de dois a 15 dias. Portanto, mesmo semanas após visitar áreas de risco, é fundamental considerar a possibilidade da doença se os sintomas surgirem”, afirma Carla.
A informação sobre uma eventual exposição a carrapatos pode ser decisiva no momento do atendimento.
“A febre maculosa exige cuidado especial, pois os sintomas podem ser inespecíficos e o carrapato nem sempre é localizado. Um histórico detalhado das áreas visitadas é essencial para orientar o diagnóstico precoce e evitar complicações graves”, explica a médica-veterinária.
Diante de sintomas compatíveis, a orientação é buscar atendimento médico e comunicar se houve contato com carrapatos ou passagem recente por áreas de risco.
O tratamento deve ser iniciado diante da suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial. A demora pode favorecer a progressão para formas graves.
Prevenção é a melhor saída
Os dados mais recentes consolidados pelo Ministério da Saúde revelam a magnitude do problema. Em 2025, foram contabilizados 57 óbitos por febre maculosa no Brasil, dos quais 11 no Estado do Rio de Janeiro. No mesmo período, foram confirmados 149 casos no país, sendo 33 no Rio.
A prevenção começa com a redução da exposição aos parasitas. Em áreas de risco, recomenda-se o uso de roupas claras para facilitar a visualização do carrapato, além de calças compridas, blusas de manga longa e botas.
Também é fundamental examinar o corpo durante e após a permanência nesses ambientes. Os carrapatos podem ser diminutos e se alojar em regiões como axilas, virilha, dobras da pele e couro cabeludo.
“É essencial inspecionar o corpo a cada duas horas e também depois de sair do local, pois os carrapatos levam um tempo até encontrar o ponto ideal de fixação. Dessa forma, é possível retirá-los antes que ocorra a transmissão da doença”, orienta Carla.
Caso um carrapato esteja aderido à pele, a remoção deve ser feita com pinça, evitando esmagar o parasita. Em seguida, a área deve ser higienizada.
Os animais também fazem parte das medidas preventivas. Cães que circulam por regiões infestadas podem levar carrapatos para dentro de casa. Inspecionar os pets após passeios em locais de risco e manter o acompanhamento médico-veterinário são atitudes importantes para diminuir a exposição da família.
A prevenção da febre maculosa também evidencia a relevância da Saúde Única, abordagem que considera a interligação entre a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente. Nesse contexto, identificar a presença de carrapatos e adotar medidas protetivas são ações que auxiliam na redução do risco de transmissão.






