Diversas famílias com crianças que convivem com asma frequentemente se deparam com uma questão: ter um gato em casa pode agravar a condição? Uma nova investigação sueca indica que isso não procede.
O estudo, divulgado na revista científica Frontiers in Allergy, examinou informações de mais de 30 mil crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos já diagnosticados com asma e alergias. Os achados revelaram que a presença de gatos no lar não se relacionou ao aumento da severidade da doença ou à frequência de episódios respiratórios.
Os pesquisadores analisaram múltiplos indicadores de saúde respiratória, como controle da asma, capacidade pulmonar e ocorrência de exacerbações. Ao contrastar jovens que viviam com felinos com aqueles sem gatos, não se observaram disparidades consideráveis nesses parâmetros.
Conforme a cientista Resthie Putri, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, autora do estudo, as crianças residentes com gatos exibiram graus equivalentes de intensidade da asma, número de crises, domínio dos sintomas e função pulmonar em comparação com as demais. Ela enfatizou ainda que variáveis como a quantidade de gatos, a idade ou o sexo dos animais não modificaram os resultados.
Para atingir essas conclusões, a equipe recorreu a registros nacionais de saúde suecos e monitorou crianças com diagnóstico de asma e alergias. Aproximadamente 9% dos participantes tinham ao menos um gato em casa. Apesar disso, a proporção de asma moderada ou grave e a incidência de crises permaneceram praticamente idênticas entre os grupos analisados.
Os estudiosos propõem uma justificativa para o fenômeno. Segundo eles, os alérgenos felinos estão disseminados em ambientes comuns, como escolas, transporte público e outros locais frequentados pela garotada. Assim, mesmo crianças sem gatos em domicílio podem estar expostas regularmente a essas substâncias.
Embora o estudo traga uma mensagem reconfortante para muitas famílias, os especialistas lembram que cada situação precisa ser avaliada individualmente. Crianças com alergia confirmada a gatos talvez precisem de acompanhamento médico específico para definir as condutas mais apropriadas.






