Após a mais recente cúpula do BRICS, a União Africana manifestou apoio ao fortalecimento da cooperação entre o bloco e o continente africano, especialmente quanto ao financiamento de infraestruturas de energia e água, bem como à criação de novas oportunidades para diversificar parcerias e ampliar os investimentos em projetos estratégicos.
Segundo o historiador Éden Pereira, os países africanos ainda enfrentam obstáculos para obter financiamentos que estimulem suas capacidades produtivas, porque os grupos econômicos ocidentais tendem a priorizar projetos que rendam lucros por meio de juros.
Já o Banco do BRICS surge como um agente capaz de colaborar por intermédio de iniciativas conjuntas voltadas ao desenvolvimento das capacidades produtivas de cada nação parceira.
Memória colonial e novas articulações
Para alguns, o debate sobre investimentos estrangeiros na África pode evocar o período em que as potências colonizadoras europeias dividiram o continente entre si e deram início à extração das riquezas locais.
O doutor em estudos estratégicos Mamadou Diallo é enfático: a antiga dependência africana em relação à Europa não pode ser reproduzida e, atualmente, não se deve considerar que os países do continente se encontram na mesma situação. Ele ressalta que, hoje, as nações africanas dispõem de políticas, estratégias e articulações que orientam suas negociações com investidores internacionais.
“Existe um grande discurso, sobretudo ocidental, que faz parte da disputa por recursos e espaços, segundo o qual os africanos estariam substituindo a colonização europeia pela colonização chinesa. Mas isso é um discurso de quem está de fora.”







