Após a vitória dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o dólar passou a ocupar, de forma natural, o posto de moeda universal. Com a consolidação da economia norte-americana como a mais poderosa nas décadas seguintes, a dolarização das transações globais se intensificou.
O cenário internacional recente, no entanto, voltou a colocar em xeque a hegemonia da moeda estadunidense. Lula e os países do Brics passaram a defender a adoção das moedas locais nas trocas comerciais entre as nações, buscando, dessa forma, reduzir a dependência do dólar.
“Eu acho que o mundo precisa encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar”, declarou Lula. “Ninguém determinou que o dólar seja a moeda padrão.”
Na visão do presidente, a substituição do dólar no comércio internacional “é uma coisa que não tem volta, vai acontecer até que seja consolidada”. Tal proposta encontra amplo respaldo entre os integrantes do Brics, incluindo a Rússia.
Putin, em mensagem enviada à reunião do bloco realizada no Brasil, também defendeu o uso das moedas locais nos intercâmbios diretos entre dois países.
Donald Trump, por outro lado, reagiu com dureza ao tema, que está entre os que mais o incomodam. O republicano afirmou que as nações que aderirem ao que chamou de “políticas antinorte-americanas” do Brics estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%.
Dilma Rousseff, presidenta do Banco dos Brics, por sua vez, destacou que já há sinais de ampliação do uso das moedas nas transações comerciais. Ela argumentou que a hegemonia do dólar não significa, na prática, o fornecimento da moeda para o restante do planeta.
“Como você fornece dólar para o resto do mundo”, disse Dilma. “Você incorre em déficit em conta corrente. E ao incorrer em déficit em conta corrente, você fornece dólar para o resto do mundo e tem um benefício. Qual é o benefício? Você financia a custo bastante baixo seus déficits, em conta corrente e no déficit fiscal. Mas você se torna um país, como os Estados Unidos se tornaram, desindustrializado. Você perde a sua indústria”, concluiu.
“Estou vendo também uma busca por segurança”, prosseguiu a presidenta do Banco dos Brics. “Ninguém querendo sofrer as consequências do lado errado.” “Há um movimento dos países de valorizarem as transações comerciais em moedas próprias.”
Esse é o percurso até se alcançar uma desdolarização plena, o que representaria a criação de uma moeda própria, alternativa ao dólar. Tal processo teria de se desenvolver em outra comunidade, neste caso, o próprio Brics.
Uma das bandeiras centrais do bloco é justamente diminuir a hegemonia do dólar como moeda quase oficial nas trocas comerciais. Foi no encerramento da reunião realizada em julho de 2025, no Rio de Janeiro, que Lula fez essa declaração.
Desde então, houve avanços na formulação de uma moeda alternativa ao dólar, tendo o Brics como espaço privilegiado, com diversos países já promovendo o intercâmbio comercial entre si em suas próprias moedas ou em modalidades alternativas.
Ao nomear Dilma para a presidência do Banco dos Brics, Lula impulsiona a viabilidade de um projeto complexo, mas que já caminha com várias nações utilizando suas moedas nacionais nas transações realizadas com outros países.







