O Haiti definiu as primeiras eleições presidenciais em uma década. O Conselho Eleitoral marcou, na segunda-feira (27), o pleito para dezembro, com segundo turno em fevereiro.
Inicialmente programadas para agosto com segundo turno em dezembro, as eleições foram postergadas devido a preocupações com a segurança. O país não realiza votação desde 2016.
O último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021 após adiar a votação. Governos sucessivos se comprometeram a promover o pleito, mas argumentaram que a insegurança no contexto do conflito com poderosas gangues armadas tornou isso inviável.
Calendário eleitoral definido
O conselho publicou nesta segunda-feira um calendário que estabelece o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas para 13 de dezembro, com o segundo turno em 21 de fevereiro. A divulgação dos resultados finais ficou para 7 de março.
Além disso, os cidadãos votarão em emendas à Constituição e na escolha de representantes locais, conforme o cronograma.
O conselho enfatizou que o calendário depende da “criação de um clima de segurança aceitável e dos recursos financeiros necessários para a realização das operações eleitorais”.
Mais cedo neste mês, o conselho informou ter iniciado o cadastro de eleitores e o treinamento de agentes de segurança eleitoral, além de publicar a lista definitiva com mais de 300 partidos políticos aprovados para disputar o próximo processo eleitoral.
Desafios de segurança e violência das gangues
A violência contínua das gangues faz com que analistas desconfiem da manutenção das novas datas eleitorais. Os efeitos em cadeia abrangem escassez crônica de alimentos, extorsão, sequestros por resgate e deslocamentos forçados, acumulando desafios para garantir uma votação livre e justa. Cerca de 12% da população haitiana vive em acampamentos improvisados ou com famílias anfitriãs.
Gangues armadas violentas, em grande parte agrupadas sob a ampla aliança conhecida como Viv Ansanm, dominam a maior parte da capital, Porto Príncipe, cuja região metropolitana abriga cerca de um quarto da população. As gangues também se expandiram para o centro e áreas rurais do Haiti.
A Viv Ansanm, que busca reconhecimento político, foi designada organização terrorista pelos Estados Unidos e é responsabilizada por sequestros em massa, estupros coletivos, incêndios criminosos, assassinatos indiscriminados e tráfico de armas, órgãos e drogas.
Por Agência Brasil






