Gestores adotam tom cauteloso com bolsa brasileira por tensão no Oriente Médio

Os gestores de fundos da América Latina ainda demonstram cautela em relação à bolsa brasileira, de acordo com a pesquisa mensal do Bank of America (BofA).

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Se há um mês 31% dos entrevistados previam o Ibovespa (IBOV) acima dos 190 mil pontos em dezembro deste ano, agora quase metade dos participantes espera que o principal índice da bolsa brasileira encerre o ano no nível acima de 180 mil pontos.

Praticamente nenhum dos entrevistados pelo BofA espera revisões para cima dos lucros no Brasil. Por outro lado, a expectativa de revisões para baixo subiu de 40% em junho para 48% neste mês.

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O apetite ao risco encolheu, em parte, com a nova escalada das tensões geopolíticas após a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, segundo os estrategistas do banco.

Diante desse cenário, os gestores ouvidos seguem considerando que a perspectiva de juros mais altos nos EUA, com pressão dos preços de energia, e o fortalecimento do dólar são os principais fatores de risco externos para o mercado brasileiro.

Na América Latina, quase 30% dos participantes acreditam que nem o Brasil nem o México terão desempenho superior nos próximos seis meses. Os investidores permanecem otimistas com a Argentina e têm uma visão positiva para a Colômbia.

A pesquisa de julho contou com a participação de 31 gestores com aproximadamente US$ 90 bilhões em ativos sob gestão.

Para onde vai o dólar?

O levantamento do BofA também revelou que as estimativas para o câmbio pioraram pelo segundo mês consecutivo. Atualmente, cerca de 42% dos participantes veem um dólar mais forte em 2026. Essa mesma percepção era compartilhada por aproximadamente 33% dos gestores no levantamento de junho.

Cerca de metade dos participantes esperam o dólar entre R$ 5,11 e R$ 5,40 em dezembro deste ano. Na pesquisa anterior, 45% dos entrevistados projetavam o câmbio na faixa de R$ 4,81 a R$ 5,10 no fim de 2026.

Além disso, nenhum dos gestores entrevistados espera que o real fique abaixo de R$ 4,80 até o fim de 2026, assim como na pesquisa anterior.

Cortes na Selic

A pesquisa do BofA ainda aponta que a maioria dos gestores considera que expectativas de inflação mais baixas e uma melhora no cenário político são os principais gatilhos para um ciclo de flexibilização monetária “mais agressivo”. Hoje, a Selic está em 14,25% ao ano.

Depois de quatro meses consecutivos sem consenso entre os gestores, 77% projeta pelo menos um corte na taxa básica de juros, a Selic, neste ano. 54% espera pelo menos dois cortes nos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central até dezembro, com a Selic encerrando a 13,75% ao ano.

Nenhum gestor vê a taxa de juros abaixo de 13% ao ano no fim de 2026.

O BofA, por sua vez, prevê a taxa básica de juros a 14% em dezembro deste ano, considerando que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza os juros em 25 pontos-base na decisão de agosto.

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