O Banco do BRICS aprovou um aporte de US$ 1 bilhão (equivalente a R$ 5,1 bilhões) destinado à modernização de infraestrutura pública em oito municípios metropolitanos da África do Sul. A iniciativa marca uma nova fase na atuação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que historicamente financia projetos únicos e agora passa a contemplar um conjunto mais amplo de ações.
Para a pesquisadora Rafaela Mello Rodrigues de Sá, esse movimento sinaliza uma mudança estratégica importante. Ela observa que a maioria dos países emergentes passou por um processo de urbanização acelerado, e a concentração populacional nas cidades tornou-se um desafio comum. “O NBD atua justamente nesse cenário, oferecendo financiamentos voltados ao desenvolvimento dos grandes centros urbanos, ajudando a enfrentar gargalos em transporte, moradia e outras áreas essenciais”, destaca.
A pesquisadora também ressalta que o NBD vem ampliando sua presença na arquitetura financeira internacional, consolidando-se como fonte de financiamento sustentável para o Sul Global. Sempre que possível, a instituição prioriza concessão de empréstimos em moedas locais, o que reduz a dependência do dólar nas operações entre países.
Na visão da pesquisadora Laura Ludovico, a expansão do NBD representa uma alternativa real às fontes tradicionais de financiamento, que geralmente impõem condições menos vantajosas às nações em desenvolvimento. “A África do Sul precisa de investimentos que não venham exclusivamente dos Estados Unidos, como ocorria antes. O país está abandonando uma política de não alinhamento e adotando uma postura multilateralista, reconfigurando sua identidade diplomática”, completa Ludovico.






