O líder iraniano, Masoud Pezeshkian, sugeriu nesta quarta-feira (24/6) a formação de um pacto militar entre os países muçulmanos do Oriente Médio. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Islamabad, ao lado do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
De acordo com a agência de notícias Tasnim, do Irã, Pezeshkian destacou que as nações islâmicas precisam intensificar a cooperação nos campos econômico, cultural e militar, com o objetivo de consolidar a soberania e lidar com desafios em comum. Entre os candidatos a integrar o bloco estariam Arábia Saudita, Catar, Egito, Turquia, Irã e Paquistão.
A iniciativa foi comparada a uma espécie de “Otan muçulmana”, fazendo alusão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança de defesa coletiva fundada em 1949 por nações europeias e norte-americanas. Pezeshkian propôs que o Paquistão, considerado a única potência nuclear do mundo islâmico, pudesse assumir a liderança do grupo.
Para o presidente iraniano, uma estrutura regional de defesa permitiria aos países do Oriente Médio diminuir a dependência de potências externas e fortalecer seus próprios instrumentos de segurança.
“O desenvolvimento econômico, o fortalecimento dos laços culturais e a proteção da soberania dos países muçulmanos exigem uma cooperação mais profunda entre as nações da região”, afirmou.
Cooperação regional e estabilidade
Durante a entrevista, Pezeshkian enfatizou que Teerã pretende expandir sua parceria com as nações islâmicas para fomentar maior alinhamento político e criar mecanismos conjuntos de resposta a ameaças externas. Segundo ele, a estabilidade duradoura do Oriente Médio dependerá da capacidade de os próprios países da região construírem soluções para seus conflitos e desafios de segurança.
A declaração ocorre em meio a uma reorganização diplomática no Oriente Médio, marcada pela reaproximação entre rivais históricos e pelo esforço de governos regionais para reduzir tensões que alimentam conflitos armados há décadas.
Paquistão como mediador da guerra
Pezeshkian também ressaltou o papel do governo paquistanês nas negociações de paz entre Irã e Estados Unidos nos últimos meses. Conforme ele, Islamabad atuou como mediador importante entre as partes e ajudou a reduzir as tensões regionais. O presidente iraniano afirmou que os esforços diplomáticos do Paquistão foram fundamentais para estabelecer canais de diálogo que culminaram na assinatura de um memorando inicial de entendimento entre os países.
“Os esforços incansáveis do Paquistão para promover a paz na região estão enraizados em sua rica cultura”, declarou.
Durante a visita ao país, Pezeshkian encontrou-se com lideranças paquistanesas de destaque, incluindo o presidente Asif Ali Zardari, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Exército, Asim Munir.
Aproximação entre Teerã e Islamabad
De acordo com o líder iraniano, as reuniões resultaram em novos compromissos para aprofundar a cooperação bilateral em áreas como comércio, segurança, energia e desenvolvimento regional. A proposta de uma aliança militar islâmica ainda não possui estrutura formal nem cronograma de implementação, mas sinaliza a intenção do Irã de fortalecer a integração entre os países muçulmanos e ampliar sua influência diplomática em um cenário regional cada vez mais estratégico.
Caso avance, a iniciativa poderá alterar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio e criar uma nova plataforma de cooperação militar entre algumas das principais potências islâmicas da região.







