O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dedicou sua última manhã em Pequim nesta sexta-feira (15) ao complexo de Zhongnanhai — o enclave altamente confidencial e com rigorosa proteção que abriga a cúpula do Partido Comunista Chinês.
Donald Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, percorreram os jardins meticulosamente cuidados, com Trump demonstrando admiração pelas rosas e Xi se prontificando a enviar sementes, antes de um encontro acompanhado de chá e almoço.
Sede do poder central na China, o local é frequentemente equiparado à Casa Branca (governo americano) ou ao Kremlin (governo russo).
A vigilância é extraordinariamente severa, e o ingresso no complexo é monitorado por uma unidade militar de elite incumbida da proteção pessoal dos principais dirigentes partidários. Fotografias do local são rigorosamente censuradas e omitidas em plataformas de mapas digitais.
O próprio Xi destacou o local nesta sexta-feira (15), afirmando que o escolheu como retribuição por Trump tê-lo recebido em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, em 2017.
Foi o primeiro encontro entre ambos, ocorrido poucos meses após Trump assumir o cargo em seu mandato inicial.
“Zhongnanhai – batizado em função de dois grandes lagos existentes em seu terreno – é o lugar onde os líderes do partido (comunista) e do governo central da China atuam e residem, eu inclusive”, declarou Xi a Trump nesta sexta-feira (15).
“Desde a fundação da República Popular da China em 1949, nós (o partido comunista) permanecemos aqui, incluindo líderes chineses como Mao Tsé-Tung, Zhou Enlai, Deng Xiaoping, Jiang Zemin, Hu Jintao e outros”, acrescentou o presidente chinês.
Jardim dos Imperadores
Zhongnanhai foi originalmente um jardim imperial, utilizado pelos imperadores para lazer e descanso nos momentos em que não estavam residindo e trabalhando na Cidade Proibida, em Pequim.
A rica trajetória dos jardins foi motivo de orgulho nesta sexta-feira, com Xi Jinpang mencionando a idade de diversas árvores no complexo – destacando uma grande árvore que, segundo ele, possuía aproximadamente 490 anos.
“Em outras áreas deste complexo, há árvores que ultrapassam mil anos de vida”, explicou Xi ao presidente americano.
Em dado momento, o líder chinês convidou Donald Trump a tocar as árvores, manifestando sua reverência pela vida e pela história do jardim.
Mais adiante, durante o passeio, Trump comentou com Xi: “Lugar bonito. Gostei. Eu poderia me acostumar com isso.”
Após o término da era imperial chinesa em 1912, Zhongnanhai foi reaproveitado como moradia presidencial.
Décadas depois, o presidente Mao Tsé-Tung o estabeleceu como o núcleo do poder político depois da vitória comunista na guerra civil chinesa.
Naquele período, Mao propositalmente não adotou a Cidade Proibida para seu gabinete, desejando distanciar a nova China do antigo sistema imperial que havia fracassado.
Além disso, trabalhar e viver no palácio do imperador anterior seria incongruente com a ideologia do Partido Comunista de “servir ao povo”.
A partir de então, Zhongnanhai passou por demolições e reformas expressivas, com a incorporação de edifícios administrativos, piscinas e outras estruturas.
Atualmente, o complexo de 607 hectares exibe pavilhões e templos reaproveitados e é sinônimo da elite partidária.
Mais tarde, durante o passeio dos presidentes, conforme mostram vídeos da mídia estatal chinesa, ambos tiraram fotos em frente a uma sala que anteriormente era usada para bailes e exibição de filmes estrangeiros e chineses quando a liderança do partido se instalou no complexo.
Presidentes americanos visitam Zhongnanhai
O ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, encontrou-se com Mao em Zhongnanhai durante sua visita histórica em 1972 – a primeira vez que um presidente americano esteve na China.
Cerca de três décadas depois, o presidente George W. Bush também visitou Zhongnanhai, acompanhado pelo então presidente chinês, Jiang Zemin.
O último presidente dos EUA a visitar Zhongnanhai foi Barack Obama, que se encontrou com Xi Jinping em 2014. Segundo relatos da mídia estatal, na ocasião ambos discutiram a história moderna da China.
Naquela oportunidade, Obama foi convidado a conhecer a raramente vista ilha artificial de Yingtai, que fica isolada no meio de um lago em Zhongnanhai.
A ilha oculta carrega um significado histórico especial e foi local de prisão de um imperador próximo ao fim da dinastia Qing, quando ele foi deposto em meio a um golpe fracassado.







