Israel utiliza acesso à água como arma contra palestinos, acusa MSF

Um levantamento publicado nesta terça-feira (28) pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) denuncia que Israel emprega o controle sobre a água como instrumento bélico contra a população palestina em Gaza, negando-lhe o acesso a esse recurso vital no contexto de uma “campanha de punição coletiva”.

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Entre a devastação de instalações e os entraves ao fornecimento, “a privação intencional de água imposta aos palestinos constitui parte fundamental do genocídio promovido por Israel”, declarou a MSF em nota oficial divulgada em conjunto com o documento intitulado A Água como Arma: a Destruição e a Privação de Água e Saneamento por parte de Israel em Gaza.

As autoridades israelenses negam de forma veemente as acusações de genocídio em Gaza, que se intensificaram ao longo do conflito.

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O relatório, fundamentado em informações da própria MSF e em depoimentos coletados por seus profissionais durante 2024 e 2025, sustenta que “o uso instrumentalizado e reiterado da água” pelas forças israelenses segue “um padrão recorrente, sistemático e acumulativo”.

Impactos da destruição sistemática

“Isso se combina aos homicídios diretos de civis, à ruína de unidades de saúde e à derrubada de residências, provocando deslocamentos em massa. Em conjunto, esses fatores revelam a intenção de impor condições de vida arrasadoras e desumanas aos palestinos em Gaza”, advertiu a entidade.

“O governo israelense sabe que, sem água, a vida se extingue. Ainda assim, destruiu deliberada e metodicamente as redes hidráulicas em Gaza, ao mesmo tempo que obstrui constantemente a chegada de materiais ligados ao abastecimento de água”, declarou Claire San Filippo, diretora de emergências da MSF, mencionada no comunicado.

Embora um cessar-fogo tenha entrado em vigor em outubro do ano passado – dois anos após o início da guerra, deflagrada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 – a Faixa de Gaza permanece como cenário de hostilidades, com Israel e o movimento islâmico palestino trocando acusações de violação da trégua.

Conforme informações da ONU, da União Europeia e do Banco Mundial, Israel destruiu ou danificou aproximadamente 90% das estruturas de água e saneamento em Gaza, atingindo estações de dessalinização, poços, tubulações e redes de esgoto.

As equipes da MSF registraram disparos do exército israelense contra caminhões-pipa “identificados de forma clara”, assim como a demolição de poços “que representavam uma fonte essencial para dezenas de milhares de indivíduos”.

“Palestinos foram feridos e mortos enquanto tentavam simplesmente obter água”, relatou San Filippo.

“[A carência] é tão severa que se torna inviável prover volumes suficientes para a população”, argumenta ainda a MSF, que se descreve como a maior produtora e distribuidora de água potável em Gaza, superada apenas pelas autoridades locais.

Em março de 2026, a MSF forneceu mais de 5,3 milhões de litros de água diariamente, volume equivalente às necessidades básicas de mais de 407 mil pessoas, ou seja, aproximadamente um quinto dos habitantes.

“Contudo, as ordens de deslocamento impostas pelo exército israelense impediram as equipes da MSF de acessar as regiões para as quais forneciam água a centenas de milhares de pessoas”, denunciou a ONG, criticando também as barreiras à entrada de materiais cruciais relacionados à água e ao saneamento em Gaza desde outubro de 2023.

Um terço das solicitações da organização para importar unidades de dessalinização, bombas, cloro e outros insumos de tratamento hídrico, reservatórios, repelentes de insetos ou latrinas “foram negadas ou permaneceram sem resposta”.

“As repercussões são profundas para a saúde, a higiene e a dignidade das comunidades, sobretudo para mulheres e pessoas com deficiência”, alertou a MSF.

“Na ausência de banheiros, as pessoas são forçadas a cavar buracos na areia, que transbordam e poluem o solo e os lençóis freáticos”, prossegue o texto.

A ausência de acesso a água e higiene, somada a condições de vida degradantes – barracas superlotadas, abrigos improvisados – favorece a disseminação de enfermidades, como infecções respiratórias, dermatites e doenças diarreicas.

A MSF fez um apelo às autoridades israelenses para que restabeleçam de imediato o acesso à água “em quantidades adequadas” para a população de Gaza e instou os aliados de Israel a “aplicarem pressão para que os entraves à ajuda humanitária sejam removidos”.

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A buzina do machismo soa alto demais

Caroline Pignaton

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