O BRICS+, agora ampliado com novos integrantes, já representa cerca de 40% do Produto Interno Bruto global em paridade de poder de compra. Projeções do Fundo Monetário Internacional indicam que a participação econômica do grupo subiu de aproximadamente 40% para perto de 41%. Em 2024, enquanto a economia mundial cresceu em média 3,3%, os países do bloco registraram uma expansão média de 4,0%, superando consistentemente a média internacional.
Demograficamente, o bloco reúne mais de 40% da população mundial. A China mantém-se como a principal economia interna, respondendo por cerca de 19,6% do PIB global, seguida pela Índia, com 8,5%, e pelo Brasil, com aproximadamente 2,3%.
Crescimento Sustentável e Relevância Comercial
Economias como Etiópia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos destacam-se pelo crescimento sustentável, com projeções para 2025 variando entre 4,0% e 6,6%. Esse desempenho reforça o impulso econômico interno e a capacidade do grupo de redefinir horizontes de desenvolvimento global.
No comércio internacional, o BRICS+ detém cerca de 20% das trocas mundiais. Em 2024, o fluxo comercial entre o Brasil e os demais membros ultrapassou US$ 200 bilhões, representando mais de um terço do total exportado e importado pelo país, o que evidencia a relevância mútua nos fluxos econômicos.
Recursos e Busca por Autonomia
Territorialmente, as nações do bloco ocupam cerca de 36% do território global e detêm reservas estratégicas significativas de petróleo, gás natural e minerais críticos. O grupo também adota respostas conjuntas a sanções, ajustes nos preços de energia e disputas geopolíticas, demonstrando uma busca clara por autonomia além da influência ocidental e a criação de novos polos de poder.
Desafios ao Sistema Financeiro Dominante
Uma dimensão decisiva dessa nova ordem é financeira. Dentro do BRICS+, há esforços concretos para criar alternativas ao dólar como moeda de reserva e meio de liquidação internacional. A expansão de acordos bilaterais em moedas locais e mecanismos de compensação externos ao sistema liderado pelos Estados Unidos demonstra uma contestação estrutural, ainda que gradual, à moeda americana. No entanto, a curto prazo ou em momentos de crise, sua liquidez, profundidade e confiança internacional permanecem superiores.
Consolidação Institucional e Poder Energético
No campo institucional, o bloco não pretende assumir uma vocação militar ou buscar dominação formal, mas sua atuação cresce em energia, comércio exterior e diplomacia estratégica. A adesão de Estados como Arábia Saudita, Egito, Irã e Etiópia, em 2023, consolidou uma nova configuração. Juntos, esses países respondem por parcelas significativas da oferta global de petróleo e gás, tornando-se interlocutores centrais em questões globais.
Erosão da Ordem Unipolar
Esse conjunto de fatores reforça que o projeto de uma ordem unipolar ou de hegemonia exclusiva dos Estados Unidos vive um processo de erosão. A capacidade de Washington de impor soluções definitivas em conflitos recentes mostra-se limitada. Um exemplo é a trégua alcançada entre EUA e Irã, que evidencia como a diplomacia global exige agora consensos mais amplos e parcerias estratégicas, e não imposições.
Um Vetor Estrutural de Mudança
O BRICS+ tornou-se um vetor estrutural de mudança global. Com crescimento médio de cerca de 4,0% ao ano frente aos 3,3% globais, oferece ao Sul Global uma alternativa em moeda, governança e diplomacia. A ordem multipolar deixa de ser uma abstração e passa a impactar negociações no FMI e no Banco Mundial, a segurança energética, os fluxos de investimento, a soberania tecnológica e a defesa contra sanções. O peso econômico e demográfico torna o bloco não apenas uma sigla, mas uma força com consequências diretas para o Brasil, tanto no comércio exterior quanto em sua autonomia internacional.






