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Desaceleração econômica pode levar trabalhadores a ter que aceitar empregos de baixa qualidade

O novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, revela que a atual desaceleração econômica global provavelmente forçará mais trabalhadores a aceitar empregos de baixa qualidade e mal remunerados.

Segundo o estudo, os trabalhadores podem enfrentar falta de segurança laboral e proteção social, acentuando as desigualdades exacerbadas pela crise do Covid-19.

Já entre os jovens de 15 a 24 anos, a OIT avalia que eles enfrentam sérias dificuldades para encontrar e manter um emprego decente.

Já entre os jovens de 15 a 24 anos, a OIT avalia que eles enfrentam sérias dificuldades para encontrar e manter um emprego decente.

Projeções

O levantamento também projeta que o crescimento global do emprego será de apenas 1% em 2023, menos da metade do nível de 2022.

Em todo o mundo, o desemprego deve atingir outros 3 milhões de pessoas este ano, chegando em 208 milhões, o que corresponde a uma taxa de desemprego global de 5,8%.

O aumento projetado é justificado em grande parte à oferta restrita de mão-de-obra nos países de alta renda. Segundo a agência da ONU, a estimativa marcaria uma reversão do declínio no desemprego global visto entre 2020 e 2022.

Isso significa que o desemprego global permanecerá 16 milhões acima do valor de referência pré-crise, estabelecido em 2019.

Trabalho digno

Além do desemprego, “a qualidade do emprego continua a ser uma preocupação fundamental”, alerta o relatório. O texto lembra que “o trabalho digno é fundamental para a justiça social”.

O documento aponta que uma década de progresso na redução da pobreza foi afetada pela crise do Covid-19. Apesar de uma recuperação nascente durante 2021, a escassez contínua de melhores oportunidades de emprego pode piorar.

A OIT explica que a desaceleração significa que muitos trabalhadores terão que aceitar empregos de qualidade inferior, muitas vezes com salários muito baixos, às vezes com horas insuficientes.

Além disso, como os preços aumentam mais rapidamente do que os rendimentos nominais do trabalho, a crise do custo de vida corre o risco de empurrar mais pessoas para a pobreza.

Essa tendência se soma a quedas significativas na renda observadas durante a pandemia, que em muitos países afetou mais os grupos de baixa renda.

Lacuna global de empregos

O relatório também identifica a lacuna global de empregos.

Para além dos desempregados, esta medida inclui as pessoas que querem emprego, mas não procuram emprego ativamente, seja por desânimo ou por terem outras obrigações, como responsabilidades de cuidado.

A lacuna global de empregos ficou em 473 milhões em 2022, cerca de 33 milhões acima do nível de 2019.

Produtividade e a recuperação do mercado de trabalho

A deterioração do mercado de trabalho se deve principalmente às tensões geopolíticas emergentes e ao conflito na Ucrânia, à recuperação desigual da pandemia e aos contínuos gargalos nas cadeias de suprimentos globais.

Juntos, eles criaram as condições para a estagflação pela primeira vez desde a década de 1970, que combina a alta inflação e o baixo crescimento.

Segundo a OIT, mulheres e jovens estão se saindo significativamente pior nos mercados de trabalho. Globalmente, a taxa de participação feminina na força de trabalho ficou em 47,4% em 2022, em comparação com 72,3% dos homens.

Jovens desempregados

O levantamento aponta que essa diferença de 24,9% significa que, para cada homem economicamente inativo, existem duas mulheres na mesma situação.

Já entre os jovens de 15 a 24 anos, a OIT avalia que eles enfrentam sérias dificuldades para encontrar e manter um emprego decente. Sua taxa de desemprego é três vezes maior que a dos adultos.

Mais de um em cada cinco, ou 23,5%, dos jovens não estão empregados, não estudam nem seguem qualquer formação.

Variações regionais

Em 2023, África e países árabes devem ter um crescimento do emprego de cerca de 3% ou mais.

No entanto, com suas crescentes populações em idade ativa, é provável que ambas as regiões vejam as taxas de desemprego declinarem apenas modestamente. As estimativas apontam uma queda de 0,1% na África e 0,3% nos Estados Árabes.

Na Ásia e no Pacífico e na América Latina e no Caribe, o crescimento anual do emprego é projetado em cerca de 1%. Já na América do Norte, o relatório aponta que haverá poucos ou nenhum ganho de emprego em 2023 e o desemprego deve aumentar.

A Europa e a Ásia Central são particularmente afetadas pelas consequências econômicas do conflito na Ucrânia. Mas, embora o emprego deva diminuir em 2023, suas taxas de desemprego devem aumentar apenas ligeiramente, dado o cenário de crescimento limitado da população em idade ativa.

Via: https://news.un.org/feed/view/pt/story/2023/01/1808062

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