Uma nova rota turística liga Vargem Alta, Castelo e Pedra Azul, no Espírito Santo, propondo diferentes formas de explorar o interior capixaba: do café cultivado nas serras a trilhas pela floresta, da gastronomia local aos morangos colhidos no campo, sem esquecer a observação de aves. O Caminhos da Mata Atlântica Capixaba foi oficializado na quinta-feira (13), durante a 6ª Feira Estadual de Turismo Rural — RuralturES 2026, realizada no Distrito Turístico de Pindobas, em Venda Nova do Imigrante.
A proposta reúne atrativos e negócios de Vargem Alta, Castelo e Pedra Azul, distrito de Domingos Martins, com a Mata Atlântica como elemento transversal. Nesta primeira edição, oito empreendimentos integram a rota, atuando em gastronomia, produção rural, ecoturismo e preservação ambiental.
A iniciativa não se limita a desenhar um percurso; ela quer oferecer razões para o visitante ampliar sua estadia na região. O viajante pode montar um roteiro que comece numa propriedade rural, percorra parques e reservas, faça uma parada em um restaurante e se encerre com vista para as montanhas.
A apresentação na RuralturES também expõe o novo produto a empresários, produtores e profissionais do turismo. A feira segue até domingo (16) e se consolida como um dos principais espaços de divulgação do turismo rural e de experiências do Espírito Santo.
Oito experiências conectadas pela Mata Atlântica
A composição inicial do Caminhos da Mata Atlântica Capixaba é formada por Café Vale do Caxixe, Cozinha Rústica Bistrô, Gruta do Limoeiro, Empório do Morango, Parque Estadual do Forno Grande, Parque Estadual da Pedra Azul, Reserva Ambiental Águia Branca e Reserva Ambiental Kaetés.
Cada um desses locais possibilita uma forma singular de conexão com o território.
No Café Vale do Caxixe, o público acompanha de perto a produção que sustenta as propriedades serranas. No Empório do Morango, a visita aproxima o turista do plantio da fruta e de seus derivados. Já nos parques e reservas, o roteiro ganha trilhas, paisagens contemplativas, biodiversidade e observação de pássaros.
A gastronomia complementa o trajeto, trazendo à mesa ingredientes, receitas e memórias do território onde tudo é produzido.
É exatamente essa variedade que confere identidade ao roteiro. Em vez de propor uma experiência padronizada, o Caminhos da Mata Atlântica oferece a possibilidade de combinar atividades distintas conforme o interesse e a disponibilidade de cada turista.
Vargem Alta leva gastronomia e natureza para a rota
Vargem Alta está presente nesta fase inicial com a Cozinha Rústica Bistrô e a Reserva Ambiental Águia Branca, dois projetos independentes que revelam facetas diferentes do município.
No campo gastronômico, a Cozinha Rústica Bistrô vai realizar na Reserva Águia Branca a vivência Sabores e Cores da Mata Atlântica. A programação tem início com uma conversa mediada pelo chef Ricardo Silva e por Adê Pansini sobre os ingredientes da Mata Atlântica que integram o cardápio. Depois, os participantes desfrutam de um almoço desenvolvido para apresentar esses sabores.
A Reserva Ambiental Águia Branca, por sua vez, oferece a própria vivência de imersão na mata. A experiência inclui a Caminhada dos Sentidos, um percurso com estímulos sensoriais que levam o visitante a perceber sons, cheiros, texturas e detalhes que passam batido em uma caminhada tradicional.
Trata-se de dois acessos ao mesmo território: um por meio da cozinha e outro pela floresta.
Integrar o roteiro também coloca Vargem Alta ao lado de destinos já consolidados no turismo do Espírito Santo, ampliando a visibilidade de experiências que podem ser somadas em um único passeio serrano.
Castelo combina café, morango, caverna e montanha
Castelo entra no roteiro com quatro integrantes que reforçam a pluralidade da cidade.
O Café Vale do Caxixe promove a aproximação com a cafeicultura especial. A atividade detalha as fases da produção e também foi desenhada para aqueles que estão dando os primeiros passos no mundo dos cafés.
No Empório do Morango, o turismo rural se torna participativo: o visitante acompanha o cultivo, colhe morangos e participa de uma oficina de geleia. A experiência se encerra no deck, com uma cesta de piquenique durante o instante de contemplação batizado de Doce Entardecer.
A Gruta do Limoeiro agrega ao itinerário um passeio pelo patrimônio natural e arqueológico de Castelo. Os salões e as formações rochosas criam uma atmosfera completamente diversa daquela vivenciada nas áreas rurais.
O Parque Estadual do Forno Grande, por sua vez, conduz os visitantes a trilhas, mirantes, piscinas naturais e momentos de contemplação em um dos espaços naturais mais emblemáticos da região.
Pedra Azul amplia o percurso
Em Domingos Martins, o percurso alcança a região de Pedra Azul com o Parque Estadual da Pedra Azul e a Reserva Ambiental Kaetés.
O parque insere no circuito uma das imagens mais reconhecidas do turismo capixaba, reunindo trilhas, áreas naturais e vivências que seguem as normas de visitação do local.
A Reserva Ambiental Kaetés amplia o contato com a biodiversidade e a observação da fauna e da flora. Dessa forma, Pedra Azul deixa de ser vista como um destino solto e passa a fazer parte de um circuito que pode levar o viajante a outras localidades das Montanhas Capixabas.
Integração busca fazer o turista circular pela região
O Caminhos da Mata Atlântica Capixaba é uma ação do Sebrae/ES, em parceria com o Montanhas Capixabas Convention & Visitors Bureau, construída com base na qualificação e na articulação de empreendimentos turísticos.
Uma das metas é fazer com que atrativos que hoje funcionam de maneira independente passem a compor uma oferta regional mais integrada. Para os pequenos negócios, isso gera oportunidades de promoção conjunta e comercialização. Para o turista, representa encontrar vivências complementares sem ficar restrito a uma só cidade.
A estratégia também foca em ampliar a duração da viagem. O turista que procura Pedra Azul pode prolongar o passeio até Castelo ou Vargem Alta; quem vem motivado pelo café ou pela culinária pode incluir uma trilha, uma reserva ambiental ou uma atividade rural no programa.
Essa transformação acompanha a evolução do perfil das viagens para o interior. A paisagem permanece relevante, mas passa a dividir espaço com o que pode ser experimentado: dialogar com os produtores, degustar um ingrediente típico, percorrer a mata, observar aves, visitar uma propriedade ou dedicar um tempo apenas para apreciar as montanhas.
É nessa interseção entre natureza e pessoas que o Caminhos da Mata Atlântica Capixaba busca estruturar sua identidade. O lançamento na RuralturES marca oficialmente o início dessa nova fase e insere Vargem Alta, Castelo e Pedra Azul em uma mesma jornada, geograficamente próximas, porém repletas de experiências distintas.







