O pastel brasileiro ganhou destaque neste fim de semana no Festival da Comida Continente, realizado no Porto. A chef carioca Michele Marques desenvolveu uma receita exclusiva para o evento com o intuito de “acolher” os compatriotas que marcaram presença no festival. “Estou muito orgulhosa e muito feliz. É uma honra estar aqui”, declarou a chef ao DN Brasil.
A brasileira foi convidada pelo chef da rede, André Matos, para ser uma das atrações principais do festival. Matos visitou o restaurante de Michele, localizado no Alentejo, e ficou impressionado com o pastel recheado de cação. “Eles foram até lá e adoraram a proposta do pastel de cação, então sugeriram que eu preparasse um pastel tipicamente brasileiro, pois também desejamos homenagear o público do Brasil”, ressalta.
Ao DN Brasil, André conta que o objetivo era precisamente acolher a comunidade brasileira através do pastel. “Era exatamente esse o grande desafio: criar um prato simples, mas que tocasse o coração. Sem querer soar muito poético, mas essa era a realidade. Queríamos que as pessoas percebessem que estamos genuinamente e sinceramente fazendo algo autêntico pela comunidade”, revela ao jornal.
O profissional afirma ser admirador da chef brasileira. “A Michele é uma cozinheira excepcional. Ela estudou cada detalhe minuciosamente e, para nós, é uma honra tê-la conosco”, declara. Quem observa o prato, composto por duas unidades do salgado brasileiro servidas com molho e salada, não faz ideia do esforço envolvido na receita.
Foram meses de experimentações na cozinha de Michele e no laboratório culinário do Continente até alcançar o resultado definitivo. Um dos principais obstáculos era o volume de salgados: mais de 1.200 por turno durante o festival, totalizando 10 mil unidades em dois dias. Como preservá-los quentes e crocantes?
A chef relata que, após definir a massa ideal, a fritura passou a ser o maior desafio. “Testei diversas temperaturas do óleo e diferentes durações de fritura”, explica. Por fim, encontrou o ponto perfeito: três minutos na primeira fritura e mais dois minutos no momento de servir.
Para suprir a procura, foram montadas cinco fritadeiras duplas, cada uma com 15 litros de óleo, além de um caldeirão para o molho e um refrigerador exclusivo para as saladas. “A logística é enorme e estou muito feliz que as pessoas tenham aprovado”, comemora.
De acordo com Michele, muitos brasileiros esperavam encontrar o clássico pastel de feira, de formato quadrado. Ela esclarece que essa era a intenção inicial, mas seria impraticável produzi-lo em tamanha escala. “Optamos por esse formato, que é o pastel de festa. Pelo menos nos meus aniversários sempre havia. É um prato muito afetivo”, explica.
Para os brasileiros, o prato representou um acolhimento. O casal Franklin Doria e Rafaela Cristina apreciou o sabor. “Muito saboroso, bem recheado. A massa é boa e o recheio é surreal”, disse Franklin. “Nunca provei um recheio tão bom”, ressaltou.
Para muitos portugueses, foi uma novidade. Luís Mesquita experimentou o pastel pela primeira vez, incentivado pelo amigo brasileiro Derick Brito. “Está aprovadíssimo. Eu nem ia pedir, mas ele comprou e eu quis provar”, declarou à reportagem do DN Brasil.
Água de coco e açaí
O festival congregou culinárias de várias culturas, com food trucks de diversas especialidades, majoritariamente com o selo da cozinha Continente. A rede vem investindo cada vez mais em sabores brasileiros em sua marca própria. Um dos estandes era exatamente o “Sabor Brasil”, que atraiu filas durante todo o festival devido à grande demanda.







