Transtorno borderline: 4 mitos sobre a condição

Impulsividade, emoções profundas, mudanças de humor frequentes, distorções na percepção da realidade e irritação são alguns dos sintomas que podem se manifestar em alguém com transtorno de personalidade borderline (TPB).

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Essa condição psiquiátrica está relacionada a um padrão duradouro de instabilidade nos relacionamentos, na autoimagem, no humor e no comportamento.

Estima-se que o transtorno afete aproximadamente 1% da população mundial. Embora a principal teoria aponte para uma interação entre elementos genéticos e ambientais, as causas do TPB ainda não foram completamente esclarecidas pela ciência.

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O que se pode afirmar, no entanto, é que o transtorno ainda é rodeado por muitos estigmas e desinformações, frequentemente repetidos como se fossem verdades. Diante disso, conheça quatro crenças equivocadas sobre o TPB – e descubra por que elas não correspondem à realidade.

Borderline só acontece em mulheres

Mito. De fato, as mulheres constituem a maior parte dos diagnósticos de TPB. Contudo, qualquer indivíduo pode desenvolver o transtorno. Nos Estados Unidos, por exemplo, aproximadamente 25% das pessoas diagnosticadas com a condição são do sexo masculino.

Esse mito pode ser bastante prejudicial, especialmente para homens com sintomas de TPB, que podem sentir maior resistência em buscar diagnóstico ou tratamento por receio de julgamento social.

Ao mesmo tempo, mulheres podem acreditar que não recebem uma avaliação imparcial, já que muitas vezes existe uma presunção prévia de que elas têm o transtorno devido ao gênero.

Borderline não tem cura ou tratamento

Mito. O borderline não possui cura no sentido convencional do termo: é necessário um monitoramento contínuo do quadro. No entanto, existem diversos tratamentos bastante eficazes para pessoas com o transtorno, que possibilitam conviver com ele e minimizar o impacto dos sintomas na rotina.

Após um diagnóstico preciso, o paciente pode utilizar diferentes abordagens terapêuticas, sempre conforme a estratégia definida pelo médico, considerando as particularidades do quadro em cada caso.

De maneira geral, a base do tratamento do transtorno de personalidade borderline é a psicoterapia. Entre as opções disponíveis, destaca-se a terapia cognitivo-comportamental, que pode auxiliar no controle da desregulação emocional e no desenvolvimento de habilidades sociais, promovendo o bem-estar geral.

Quanto aos medicamentos, eles podem ser úteis em situações específicas, dependendo da avaliação do profissional de saúde e das necessidades de cada paciente.

Borderline é a mesma coisa que bipolaridade

Mito. As duas condições podem apresentar sintomas bastante semelhantes, como irritabilidade, impulsividade e instabilidade de humor – sendo este último o fator que mais comumente gera confusão entre os transtornos.

No entanto, as diferenças começam na própria definição: enquanto o transtorno afetivo bipolar envolve alterações de humor em um sentido mais específico, o TPB é classificado como um transtorno de personalidade.

No bipolar, as oscilações de humor geralmente ocorrem em ciclos que duram dias, semanas ou até meses. Já no TPB, as variações tendem a ser mais abruptas, podendo ocorrer em minutos ou horas.

Além disso, os fatores desencadeantes também são distintos. No borderline, as mudanças de humor frequentemente estão ligadas a eventos externos e gatilhos interpessoais. No transtorno bipolar, a alternância de humor costuma estar mais associada a processos internos do indivíduo.

Pessoas com borderline são violentas ou perigosas

Mito. Embora o TPB seja frequentemente descrito como uma condição associada a sintomas de agressividade e irritabilidade, a ideia de que pessoas com borderline são “perigosas” é um mito – e pode prejudicar, inclusive, suas relações sociais e seu progresso no tratamento.

Embora algumas pessoas com TPB possam ter um temperamento difícil ou parecer constantemente irritadas, isso não significa, necessariamente, que representem uma ameaça para os outros. Além disso, muitos desses comportamentos podem estar relacionados à necessidade de validação, ao medo de abandono ou à sensação de rejeição, e não a uma intenção deliberada de ferir alguém.

Frequentemente, pessoas com TPB representam um risco maior para si mesmas do que para os outros, tanto que a taxa de comportamentos suicidas é mais elevada nesse grupo.

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