Seis lições de Meu Nome é Agnetha para olhar a vida com mais leveza

Como está a sua libido pela vida? Em “Meu Nome é Agnetha”, testemunhamos a trajetória de uma mulher comum que dedicou grande parte de sua existência tentando se encaixar nas expectativas alheias. Entregou-se a um trabalho que já não fazia mais sentido e a uma família que parecia não reconhecê-la. Seguiu todos os passos “corretos”, cuidou de cada um ao seu redor, mas, em determinado momento, deixou de direcionar o olhar para si mesma.

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Ao chegar perto dos 50 anos, ela é desligada do emprego e sente a confiança de que conseguirá uma nova colocação se esvair. Contudo, é através de uma oportunidade como au pair na França que a chama da esperança volta a acender. “Pois é, uma existência inteira de trabalho não reconhecido se transforma num currículo bem extenso”, desabafa a protagonista, que durante anos se dedicou a limpar, cozinhar, lavar e sustentar uma rotina doméstica que, historicamente, sempre foi delegada às mulheres.

Em Provença, já em solo francês, ela cruza o caminho de Einar, um senhor idoso, gay e cheio de excentricidades, que precisou romper com a ideia de uma família nos moldes tradicionais para viver plenamente sua sexualidade. Entre eles, floresce uma amizade que cria espaço para indagações há muito guardadas, anseios que estavam adormecidos e para a chance de vislumbrar a vida para além do trajeto que, por tanto tempo, aparentou ser a única alternativa.

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Veja seis ensinamentos extraídos de “Meu Nome é Agnetha” que auxiliam a enxergar os dias com mais magia e, se necessário, a traçar uma nova direção:

Nunca é tarde para redescobrir a si mesmo

Agnetha parece ter forjado uma identidade de fora para dentro, baseada quase sempre no cumprimento de papéis, fossem eles de esposa, mãe ou “mulher correta”. É como se o universo tivesse determinado quem ela deveria ser antes mesmo que ela pudesse se indagar sobre sua verdadeira essência.

Em um diálogo, Einar solicita que ela narre sua própria história. Com o assombro de quem não escuta essa pergunta há um bom tempo, a personagem percebe que sabe muito pouco sobre si, apenas sobre a existência que montou ao redor das demandas alheias.

Assim como inúmeras mulheres que vivenciam essa realidade, Agnetha, aos 49 anos, nos recorda que jamais é tarde para começar uma jornada de autoconhecimento, identificar os próprios anseios e abrir brecha, na rotina comum, para praticar algo que também traga satisfação.

Pare de viver para atender expectativas

“Por que eu deveria me importar com a opinião dos outros? As pessoas só se preocupam consigo mesmas. Experimente e verá como elas não se importam. Faça algo que jamais ousou realizar. Veja aonde seu corpo te leva se você parar de se importar.”

A fala, proferida por Einar para Agnetha, nos alerta que cada indivíduo é o protagonista da própria história, mas, nas narrativas alheias, quase sempre figura como coadjuvante ou mero figurante. Ainda assim, inúmeras vontades permanecem aprisionadas ao corpo pelo temor da censura. A vida transcorre, e junto com ela se vão também as ocasiões de construir lembranças preciosas. O trecho faz um convite simples: perceber que, talvez, você não seja tão relevante para os outros quanto imagina, e isso pode ser incrivelmente libertador.

Ainda em sua casa na Suécia, a protagonista se habitua a ver suas próprias paixões, como a culinária, os vinhos e as paisagens francesas, sufocadas pelo parceiro. É apenas escondida no quarto que seus desejos ousam se manifestar: pode comer o que lhe agrada, degustar vinho e contemplar os cenários franceses pela tela do computador. “Magnus acredita que me falta motivação. Só que eu tenho. Mas é o tipo errado de motivação”, reflete consigo mesma a protagonista em seu esconderijo, ainda sob a influência do olhar do marido.

Isso acontece porque a identidade e a autoestima também são moldadas nas relações. Na psicologia, essa noção aparece no conceito de “self refletido”, que auxilia a compreender como passamos a nos ver a partir dos olhares, respostas e reações que obtemos dos outros. Atuando como espelhos, essas interações podem devolver representações mais severas ou mais bondosas sobre quem realmente somos.

Já em Provença, as pessoas ao redor fazem Agnetha sentir-se bela e confiante. Elas manifestam interesse por sua história, pelo que a faz feliz e a encaram sem censura. Tudo isso colabora para que a personagem se descubra, adquira espontaneidade e se enxergue com mais ternura.

Olhe para si com atenção e suavidade

Em uma das cenas, a protagonista se posiciona diante do espelho, observa o próprio corpo e conversa com carinho sobre cada uma de suas partes. A cena gera identificação porque aborda algo que inúmeras mulheres vivenciam: a maneira crítica como foram instruídas a se olhar e, frequentemente, o ímpeto de desviar do próprio reflexo para não encarar o corpo com atenção.

Por isso, o trecho nos convida a observar cada parte de nós mesmos com mais presença e gentileza. Em vez de buscar imperfeições, talvez seja possível afirmar “essa gordura localizada também compõe quem sou”, “estes braços me sustentam”, “estas pernas me conduzem a lugares e conquistas que ainda irei descobrir”. Afinal, o corpo é a primeira morada que habitamos; através dele vivemos, amamos e realizamos nossos sonhos.

Ainda há tempo para refazer vínculos

Ao longo do filme, é possível conhecer mais sobre Einar, que, quando jovem, precisou se afastar da esposa para viver com o homem por quem se apaixonou. Depois de revelar o relacionamento, a ex-mulher resolve impedir o convívio entre o pai e o filho ainda pequeno.

No entanto, Einar nunca deixou de nutrir esse amor durante todo aquele tempo. Mantém o quarto do filho arrumado, preparado para o dia de um eventual reencontro, e, toda sexta-feira, veste seu terno mais elegante para aguardá-lo no bar. Dominado pelo medo, opta por não fazer contato, mas continua esperando ansiosamente por uma visita.

Quando o reencontro finalmente se concretiza, depois de uma parte dele acreditar que aquele momento talvez jamais se realizasse, o rapaz, que precisava do acolhimento de alguém, encontra um pai que sempre desejou tê-lo por perto. A história nos recorda que, muitas vezes, a conexão entre duas pessoas que gostariam de estar juntas, mas nunca tiveram coragem de dar o primeiro passo, pode depender apenas de um simples gesto para se concretizar.

Dance, imagine e divirta-se

“Se alguém te convidar para dançar, você jamais deve recusar”

Quando Magnus, marido de Agnetha, aparece em cena, todo o ambiente parece adquirir tons mais acinzentados. Ele é um personagem tomado pela rigidez, pelo controle e por uma dureza diante da rotina. Tudo precisa se encaixar dentro do previsto, do precisamente correto, do que não provoca vergonha. Ao seu lado, qualquer gesto de espontaneidade parece se transformar em motivo de constrangimento.

Enquanto isso, Einar e, posteriormente, Agnetha nos mostram que dar cor aos dias e encarar cada um deles com encantamento pode ser um caminho para viver com mais presença e leveza, apesar dos obstáculos. Seja ao dançar para suavizar a tristeza, fazer brincadeiras que trazem risadas ao cotidiano, cantar ou mesmo fechar os olhos para conceber uma história.

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Crítica: Violeta dos Andes

Daniel Bones

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