Receber um filho e acompanhar uma vida se desenrolando pelo tempo talvez seja uma das vivências mais marcantes da humanidade. A primeira palavra, as primeiras caminhadas, a chegada à escola, as descobertas do afeto e, mais adiante, o instante em que eles se tornam adultos e trilham seus próprios rumos.
Contudo, nem tudo são momentos serenos. Estar presente como mãe integralmente também pode ser uma jornada árdua e desgastante, seja ao despertar durante a madrugada, enfrentar inquietações que se transformam a cada etapa, renunciar a uma parcela da individualidade ou lidar com a sensação de culpa por não alcançar um padrão idealizado de perfeição.
Entre os obstáculos e a beleza de ser mãe, a leitura pode funcionar como uma troca entre amigas que passam por circunstâncias análogas, expandindo a percepção sobre essa jornada. Pensando nisso, a Vida Simples selecionou oito obras que expõem diferentes facetas dessa vivência:
‘As pequenas alegrias’
Virginie Grimaldi oferece dois ângulos de fases distintas: o da mulher que inicia o aprendizado de ser mãe e o da mãe que precisa reaprender a ser mulher. De um lado, encontramos Lili, que acabou de dar à luz uma bebê prematura e passa semanas no hospital, monitorando atentamente indicadores como saturação e frequência cardíaca da filha. Do outro, está Élise, uma mulher prestes a completar 50 anos que precisa lidar com a solidão após a saída dos filhos de casa. Depois de anos dedicando sua existência aos filhos, ela se depara com o chamado “ninho vazio”. Divorciada e afastada dos poucos amigos, Élise parece ter esquecido como socializar e não sabe ao certo o que fazer com a solidão imprevista.
Editora: Gutenberg, 256 páginas.
‘É fase’
A leitura desta obra transmite a sensação de um abraço caloroso para quem vivencia esse processo. Isso ocorre porque, a cada página, é possível notar que o turbilhão de emoções faz parte de uma experiência compartilhada. Escrito por Rafaela Carvalho, o volume reúne crônicas com um enfoque poético sobre os ciclos da vida junto às crianças. Desde a chegada de novos filhos até os pequenos episódios do dia a dia, a obra aborda as distintas fases desse laço, os instantes de riso, as lágrimas e as situações imprevistas que compõem esse caos repleto de afeto.
Editora: Matrescência, 296 páginas.
‘Mama’
Mildred é uma mãe enérgica, bem-humorada e combativa que reside em uma pequena cidade de Michigan, nos Estados Unidos. A protagonista não deseja que suas filhas cresçam presas aos mesmos padrões de subordinação que marcaram a trajetória de tantas mulheres negras. Por isso, dentro da realidade que a cerca, ela faz o possível para abrir portas e oferecer às meninas mais oportunidades do que ela própria teve. Ao narrar a vida de uma mulher negra com cinco filhos, o livro de Terry McMillan expõe como as cicatrizes deixadas pela escravidão e pelo racismo estrutural perpassam gerações e continuam se manifestando de distintas maneiras.
Editora: Tag Livros, 342 páginas.
‘Azul Haiti’
Sob a ótica do filho, a obra retrata a trajetória migratória de uma mãe que parte do Haiti e chega ao Brasil em busca de condições de vida mais favoráveis. Nascida em solo brasileiro, a criança, também marcada pelas histórias que ouve sobre o país que ficou para trás, contempla a mãe e enxerga nela a coragem e as lágrimas que acompanham todo recomeço. O livro, escrito por Paty Wolff, revela a mescla entre a sensibilidade e a força que as mulheres transmitem aos filhos.
Editora: Companhia das Letrinhas, 36 páginas.
‘Você nunca mais vai ficar sozinha’
O humor ácido e a franqueza de Tati Bernardi descrevem a imperfeição e a realidade do universo materno. O título da obra faz alusão à frase que a protagonista Karine escuta ao comunicar à mãe que está grávida de uma menina. Em longas conversas com a enfermeira preferida durante os exames de pré-natal, ela recorda os episódios da conturbada relação com a própria mãe e reflete sobre as angústias, traumas, fixações e o amor incondicional de uma filha que, gradualmente, começa a se transformar em mãe.
Editora: Companhia das Letras, 144 páginas.
‘De menina a mulher’
A psicanalista Malvine Zalcberg aborda, em linguagem acessível, como a dinâmica entre mãe e filha influencia reciprocamente a construção da identidade feminina, além das transformações no comportamento ao longo das diferentes gerações. Partindo de filmes, livros e de sua prática clínica, a autora discorre sobre esse elo profundo, que também define a maneira como cada uma de nós aprende a amar, desejar e existir.
Editora: Paidós, 384 páginas.
‘Crianças dinamarquesas’
Os dinamarqueses foram considerados, por mais de quatro décadas, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma das populações mais felizes do planeta. Por esse motivo, as pesquisadoras Iben Dissing Sandahl e Jessica Joelle Alexander decidiram investigar os fatores que levaram o país a ocupar essa posição ao longo do tempo. A resposta, segundo as autoras, reside na maneira como as crianças foram educadas, mantendo um ciclo contínuo de adultos mais felizes, emocionalmente estáveis e resilientes.
Editora: Fontanar, 114 páginas.
‘Você se lembra?’
A história acompanha uma mãe e um filho que se aconchegam juntos no apartamento para onde acabaram de se mudar. Ali, os dois relembram as memórias do passado, como um piquenique com os pais, uma queda de bicicleta em um monte de feno macio ou o aroma de um lampião a óleo durante uma noite tempestuosa. Ao revisitar o que viveram, saudade, alegria e dor se entrelaçam, fortalecendo esse vínculo invisível que une mãe e filho para sempre.
Editora: Pequena Zahar, 48 páginas.








