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Morre Éder Jofre, brasileiro que foi um dos maiores nomes do boxe

Um dos maiores nomes do boxe mundial, o brasileiro Éder Jofre faleceu neste domingo (2), em São Paulo, aos 86 anos. Jofre estava internado desde 4 de março com pneumonia e não conseguiu se recuperar. O ex-atleta também foi diagnosticado há sete anos com encefalopatia traumática crônica, conhecida como síndrome do pugilista, mal causado pelo excesso de pancadas na cabeça.

Tricampeão mundial do peso-galo, Jofre foi nomeado em 2014 pelo Conselho Mundial de Boxe (WBC) o maior atleta da categoria. É o único brasileiro a integrar o hall da fama do boxe, quando foi imortalizado em cerimônia em Nova York em 1992.

No cinturão dos maiores boxeadores da história de cada categoria, a foto de Jofre figura ao lado de Muhammad Ali, americano peso pesado considerado o maior de todos os tempos, falecido em 2016 também com sequelas das lesões cerebrais causadas por socos.

Eder Jofre ao lado de Muhammad Ali no cinturão dos maiores nomes do boxe de todos os tempos da Associação Mundial de Boxe.Eder Jofre ao lado de Muhammad Ali no cinturão dos maiores nomes do boxe de todos os tempos da Associação Mundial de Boxe.| Hugo Harada/Gazeta do Povo

Éder Jofre nasceu em São Paulo em 26 de março de 1936. O brasileiro foi campeão mundial pela primeira vez em 1960 entre os pesos-galo da Associação Mundial de Boxe (AMB). Com o título, ganhou o apelido que o eternizou: Galo de Ouro. Em 1962 unificou os cinturões com o da União Europeia de Boxe (UEB).

Jofre manteve o título da categoria até 1965, quando perdeu para o japonês Masahiko Harada em luta com resultado questionado até a morte pelo brasileiro. Desiludido, Jofre abandonou o esporte no ano seguinte, mas retornou aos ringues três anos depois. Em 1973 se tornou campeão mundial novamente, dessa vez na categoria peso-pena pelo Conselho Mundial de Boxe, ao derrotar o espanhol José Legra por contagem de pontos.

De 1957 a 1976, quando aposentou as luvas de vez, Jofre somou 81 lutas. Conquistou 75 vitórias, 50 delas por nocaute. Jofre teve apenas duas derrotas e quatro empates na careira.

Jofre marcou seu nome no mesmo período em que surgiram alguns dos maiores
nomes do esporte nacional, como Pelé, o saltador e bicampeão olímpico Adhemar
Ferreira da Silva e a tenista Maria Esther Bueno, que conquistou 19 títulos do
Grand Slam.

O pugilista entrou no boxe pelas mãos do pai, o argentino radicado no Brasil José Aristides Jofre, o Kid Jofre, que foi seu treinador ao até falecer em 1974. Kid Jofre levou o filho para treinar na própria academia, onde também era feita a preparação de atletas do São Paulo Futebol Clube, clube pelo qual o ídolo brasileiro também lutou e torcia.

Aposentado do ringue, Jofre foi professor de boxe e vereador da cidade de São Paulo de 1982 a 2000. Em 10 anos de mandado na Câmara Paulistana, o ex-lutador aprovou 26 leis municipais.

Uma das últimas vezes em que o tricampeão mundial subiu ao ringue foi em 2015, quando o boxeador paranaense Macaris do Livramento prestou homenagem a Jofre em uma luta exibição com a pugilista Rosilete Santos em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Na ocasião, quando perguntado pela reportagem da Gazeta do Povo se tinha saudade de subir aos ringues, Jofre brincou: “Dá saudade, mas só de quando eu bato”.

Em 2018, a vida de Éder Jofre virou o filme 10 Segundos para Vencer,
em que o lutador foi interpretado pelo ator Daniel Oliveira e o pai do atleta
pelo ator Osmar PRado.

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