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Canhão de Nazaré vive entre perigo e amor pelo surfe de ondas grandes

Uma vila portuguesa ao norte de Lisboa se torna o maior palco das ondas gigantes com a chegada do inverno no hemisfério norte. Nazaré convive com a paixão pelo surfe e o perigo que matou o brasileiro Márcio Freire na última quinta-feira (5), justamente quando praticava o esporte que mais amava.

O surfista, de 47 anos, tinha muita experiência em ondas daquele porte. Na década de 1990, no Havaí, quando surfistas passavam a usar a moto aquática para ganhar velocidade e conseguir acompanhar a onda na descida, ele e os demais “Mad Dogs” (Cachorros Loucos em tradução livre), junto com Yuri Soledade e Danilo Couto se utilizavam da força dos braços apenas, tornando tudo ainda mais desafiador.

Em Nazaré, Freire estava acompanhado de amigos e pessoal que auxiliava na entrada e saída das ondas. Segundo o relato do videomaker Bred Oliveira, no fim da tarde sirene das ambulâncias e salva-vidas ecoaram por toda a praia do Norte e, após inúmeras tentativas de reanimar Freire, o surfista perdeu a vida.

“Já era tarde e eu já estava quase guardando os equipamentos, quando de repente ouvimos a sirene. Demoramos um pouco para entender o que estava acontecendo. Minutos depois, recebemos a triste notícia que era o Márcio. Foram feitas incansáveis tentativas de reanimação, mas sem sucesso”, disse Bred.

A praia recebe essas ondulações gigantes que são formadas ainda embaixo da superfície, geradas por tempestades do oceano Atlântico que acontecem a centenas de quilômetros dali. Uma diferença de altura, causada pelo encontro de placas tectônicas, impulsiona a formação dos paredões.

A “plataforma continental” e a “planície abissal” formam então os cânions submersos ou, na linguagem dos surfistas, os “canhões” de até 30 metros de altura, o equivalente a um prédio de oito a dez andares por exemplo.

“Nazaré é uma força da natureza descomunal. Aquele canhão realmente atrai toda a força do Oceano Atlântico, e joga exatamente ali em Nazaré. E por ser um fundo de areia, onde existe o forte, a ponta da outra baía, e onde converge muita água, muita força do oceano, isso faz com que tenham correntes muito fortes. Eu acho que isso aí é uma das coisas que realmente dificulta bastante quando você cai da prancha”, explica Yuri Soledade, amigo de Freire, em entrevista ao R7. 

“Quando você tá ali naquele redemoinho, a espuma é muito grande, então mesmo com colete de flutuação, não dá para chegar na superfície. É como se a gente tivesse flutuando numa bolha de espuma. E ao invés de a gente ficar na superfície, a gente está abaixo, então, realmente é um perigo muito grande quando você cai ali”, completa Soledade.

Freire sofreu uma queda em uma dessas ondas e, como consequência, uma parada cardiorrespiratória. De acordo com a Autoridade Marítima de Portugal, já foi retirado da água sem vida.

“Após várias tentativas, não foi possível reverter a situação, tendo o óbito sido declarado no local pelos elementos do Inem”, diz o texto.

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