Lançamento da cartilha Caminhos do Acolhimento.
Lançamento da cartilha Caminhos do Acolhimento.
O marco dos cinco anos de funcionamento do Abrigo Institucional de Adultos e Famílias, conhecido como Abrigo 1, foi celebrado com o lançamento da publicação Caminhos do Acolhimento. O material detalha a metodologia empregada no atendimento a pessoas em situação de rua e os resultados obtidos no local.
Rodrigo Trindade, coordenador do Abrigo 1, explicou que o caderno foi elaborado para organizar e disseminar a história do equipamento. O conteúdo reúne o aprendizado construído coletivamente por profissionais e acolhidos ao longo de anos de trabalho com a população em situação de rua em Vitória.
“Mais do que um registro técnico, o material é um convite à reflexão sobre o significado do acolhimento como prática pedagógica, como ato de cuidado e como instrumento de transformação social. O abrigo constitui-se como um ambiente educativo no qual a proteção social é compreendida como um processo capaz de fortalecer a autonomia, reconstruir vínculos e estimular novos projetos de vida”, afirmou o coordenador.
Estrutura e resultados do serviço
O Abrigo 1 foi inaugurado em 13 de julho de 2021, como parte da política municipal de proteção social especial de alta complexidade da Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). O espaço funciona 24 horas por dia, com 50 vagas — 10 para mulheres e 40 para homens. Desde o início, já foram realizados mais de 3.770 acolhimentos, promovendo acesso a documentação civil, saúde, educação, qualificação profissional e inserção na rede socioassistencial.
Rodrigo Trindade destacou que, ao longo do tempo, a equipe desenvolveu uma metodologia própria, chamada Jornada Pedagógica, baseada no diálogo e no protagonismo dos atendidos. “Essa perspectiva compreende o acolhimento institucional como um espaço de reconstrução de trajetórias, onde cada pessoa possui necessidades específicas que precisam ser respeitadas”, comentou.
Trindade ressaltou que o método parte do princípio de que o abrigo é um ambiente de educação não formal, onde todas as relações carregam intencionalidade educativa e potencial transformador.
“A proposta metodológica reconhece cada pessoa acolhida como sujeito de direitos e protagonista de sua própria trajetória. O acolhimento deixa de se restringir ao atendimento das necessidades imediatas e passa a constituir um processo contínuo de desenvolvimento humano, fortalecimento de vínculos e ampliação da autonomia”, declarou.
A gerente de Proteção Social Especial de Alta Complexidade da Semas, Anacyrema Silva, enfatizou que as ações realizadas no espaço favorecem a ressignificação de vivências marcadas pela exclusão social, contribuindo para o fortalecimento das potencialidades individuais e da capacidade de cada pessoa construir novos rumos para sua vida.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, enalteceu o trabalho das equipes da rede de proteção. Ela apontou que a publicação do caderno reflete o compromisso em manter políticas públicas robustas que combatam a invisibilidade social, assegurando o acesso aos direitos sociais no momento de maior vulnerabilidade dos indivíduos e famílias.







