A edição de 2026 do ranking CWUR (Centro para Rankings Universitários Mundiais), divulgada nesta segunda feira (1º), trouxe um resultado preocupante para o Brasil. Das 52 instituições brasileiras avaliadas, 45 perderam posições em relação ao ano passado, o que representa 87% do total. Apenas cinco universidades avançaram e duas permaneceram estáveis.
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) foi uma das que recuaram. A instituição capixaba caiu da 1.268ª posição para a 1.275ª, uma descida de sete lugares no ranking global.
O CWUR avaliou 21.291 instituições em todo o mundo e selecionou as 2.000 melhores. A metodologia do ranking analisa 81 milhões de pontos de dados, distribuídos em quatro áreas principais, com pesos diferentes. O desempenho dos estudantes e a atividade científica dividem o maior peso da avaliação.
Os critérios de educação e empregabilidade respondem, cada um, por 25% da pontuação final. Eles medem, respectivamente, o sucesso acadêmico e profissional dos ex alunos em relação ao tamanho da universidade. A qualificação do corpo docente representa 10% do total, calculada pelo número de professores que receberam reconhecimentos acadêmicos.
O pilar de pesquisa é o mais decisivo, concentrando 40% da nota. Essa área é subdividida em quatro métricas de 10% cada: o volume total de artigos produzidos, o número de publicações em periódicos de primeira linha, o nível de influência dessas revistas e a quantidade de citações expressivas alcançadas pelos estudos da instituição.
Segundo os organizadores do ranking, o principal fator para o recuo das universidades brasileiras foi o desempenho em pesquisa, afetado pela concorrência acirrada com instituições estrangeiras bem financiadas. Nesse critério, 44 escolas brasileiras pioraram suas marcas.
Mesmo a líder nacional, a USP (Universidade de São Paulo), caiu uma posição, ocupando agora o 119º lugar, com quedas nos critérios de educação, corpo docente e pesquisa. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) caiu 15 posições, para o 346º lugar, enquanto a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) perdeu dez posições, ocupando o 379º lugar. Já a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) ficou estável em 476º, e a Unesp (Universidade Estadual Paulista) caiu para 479º.
Nadim Mahassen, presidente do CWUR, apontou problemas estruturais das instituições brasileiras. Ele afirmou que o declínio das universidades do país reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos. Segundo o executivo, o impacto vai além das salas de aula, pois as universidades brasileiras estão lutando para oferecer educação de alta qualidade, atrair e reter talentos e produzir pesquisa de qualidade em escala. Mahassen ressaltou que este não é apenas um problema acadêmico, mas nacional, porque a erosão do sistema de ensino superior do Brasil prejudica o desenvolvimento científico, a inovação e o futuro de longo prazo do país.
Apesar do recuo, o Brasil mantém a liderança na América Latina e no Caribe, ocupando as dez primeiras posições da região, à frente da Universidade Nacional Autônoma do México, que ficou em 287º lugar.
No restante da lista brasileira aparecem a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em 508º lugar, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em 621º e a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) na 732ª posição.
No topo do ranking global, os Estados Unidos concentram 8 das 10 primeiras posições. A Universidade Harvard lidera a lista pelo 15º ano consecutivo, seguida pelo MIT e por Stanford, também americanas. As britânicas Cambridge e Oxford ocupam o quarto e o quinto lugares, sendo as instituições públicas de ensino superior mais bem classificadas do mundo. O top dez é completado por Princeton, Pensilvânia, Columbia, Yale e Chicago.
Enquanto isso, as universidades da China avançaram devido a investimentos contínuos. Nesse cenário, 98% das universidades chinesas subiram de posição, lideradas pela Universidade Tsinghua, que alcançou o 36º lugar geral. A China já é o país mais representado no ranking, com 360 instituições, enquanto os Estados Unidos aparecem com 313.
Mahassen concluiu que o domínio americano tradicional está sob forte concorrência chinesa. Ele afirmou que esse domínio é cada vez mais contestado nas posições inferiores da tabela, à medida que outras universidades, especialmente as chinesas, estão se aproximando, enquanto potências acadêmicas tradicionais como Reino Unido, Japão e França lutam para manter suas posições.







