Os preços das mensalidades dos cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior tiveram queda em 2026 na comparação com 2025, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (22) durante o Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, realizado no Rio de Janeiro. De modo geral, as mensalidades dos cursos presenciais caíram 4,3%, enquanto as dos cursos a distância (EAD) recuaram 1,8%.
Os dados fazem parte da pesquisa Cenário de Precificação da Graduação Brasil 2026, conduzida pela Hoper Educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). O levantamento considera os valores efetivamente cobrados pelas instituições, incluindo descontos comerciais e por pontualidade.
Segundo o levantamento, as engenharias presenciais destacam-se entre as perdas reais mais expressivas da série histórica, com uma da mediana, passando de R$ 1.743, em 2016, para R$ 967, em 2026.
Na análise dos pesquisadores, isso indica que cursos tradicionalmente associados à formação técnica, produtiva e de maior retorno econômico também foram atingidos pela retração de demanda, pela ampliação da oferta e pela pressão competitiva e migração de modalidade.
Medicina continua sendo o curso de graduação com a mensalidade mais cara do país. Nas instituições privadas, a mediana em 2026 é de R$ 11,4 mil.
O movimento de queda das mensalidades, segundo a pesquisa, reflete o aumento da pressão competitiva sobre as instituições privadas de ensino superior e evidencia que os estudantes estão mais sensíveis à relação custo-benefício dos cursos. Em um mercado mais disputado, as instituições que não conseguem se diferenciar tendem a competir por preço. Para os pesquisadores, a definição de preço deixou de ser apenas aplicar reajuste ou desconto, passando a depender da capacidade de demonstrar valor acadêmico, experiência, empregabilidade, reputação e confiança. Como destaca o estudo: hoje o aluno não pergunta apenas quanto custa, mas sim se vale a pena.
Nos últimos anos, a educação a distância passou por uma reformulação no país. O forte crescimento e a baixa qualidade levaram o Ministério da Educação (MEC) a suspender a autorização de novos cursos superiores e o credenciamento de instituições na modalidade EAD. Em 2025, o MEC revisou as regras para a oferta de cursos a distância no ensino superior com o objetivo de garantir a qualidade e o desenvolvimento da aprendizagem. Entre as mudanças, nenhum curso de bacharelado, licenciatura ou tecnologia poderá ser 100% a distância a partir do novo marco regulatório.
O estudo aponta que essa mudança ainda não foi totalmente incorporada aos preços. O desafio é que parte dos cursos que migraram para o modelo semipresencial ainda opera com valores próximos aos da EAD de 2025, embora o formato semipresencial tenda a exigir maior estrutura, mais presencialidade e custos mais altos.
No Brasil, a educação superior privada concentra a maior parte das matrículas. Segundo o último Censo da Educação Superior (2024), eram 8,2 milhões de estudantes na graduação privada, o que corresponde a quase 80% do total de 10,2 milhões de matriculados no ensino superior. No total, o ensino a distância superou o presencial, com 5,2 milhões de estudantes matriculados (somando instituições públicas e privadas) contra 5 milhões no presencial.







