Relação de jovens com redes sociais exige cuidado, escuta e educação digital

Ansiedade, apatia, comparação constante, pressão estética e sensação de isolamento estão entre os principais impactos associados ao uso excessivo das redes sociais por adolescentes. O tema é o foco do primeiro episódio do De Mente Aberta, videocast do Instituto Cactus, que discute como a lógica das plataformas digitais influencia o desenvolvimento emocional de crianças e jovens. A conversa pode ser acessada no Spotify e no Youtube.

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O episódio reúne Amanda Cristina, integrante do Comitê Jovem da organização, e Guilherme Alves, gerente de projetos da SaferNet Brasil. Ao longo da conversa, os participantes analisam como o design das redes – com feed infinito, conteúdos ultrarrápidos e estímulos constantes – afeta a saúde mental, especialmente em uma fase marcada pela formação da identidade e da autoestima.

“Os jovens nasceram com as redes já presentes. É uma geração mais impactada, mas também apta para identificar os problemas e imaginar soluções”, afirma Alves durante o bate-papo.
Segundo ele, mais importante do que apenas monitorar o tempo de tela é observar o tipo de conteúdo consumido e as emoções geradas após o uso. Episódios recorrentes de ansiedade, distorção da autoimagem ou mesmo a sensação constante de que as redes sociais deixam você pior do que antes de acessá-las são sinais de alerta.

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O episódio também aborda temas como pressão estética – que atinge de forma desproporcional meninas -, adultização e hiperexposição de crianças, além da cultura da performance, em que a validação social se torna central.

Apesar dos desafios, o debate reforça que a internet também pode ser um espaço de acolhimento, acesso à informação confiável e busca por ajuda psicológica, desde que haja um movimento de educação digital, responsabilidade das plataformas e participação ativa de famílias e escolas.

Juventude e vulnerabilidades
Dados do Panorama da Saúde Mental, realizado pelo Instituto Cactus em parceria com a AtlasIntel, indicam que 45% dos brasileiros percebem o impacto negativo das redes sociais em sua saúde mental. Entre jovens de 16 a 24 anos, 15% classificam esse impacto como muito negativo.
O Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental (ICASM) dessa faixa etária é o mais baixo entre os grupos analisados.

Além disso:

  • 50% das condições de saúde surgem até os 14 anos;
  • 75% até os 24 anos;
  • Cerca de 80% dos casos não são diagnosticados ou tratados adequadamente.

Para os participantes do videocast, esses dados reforçam a necessidade de escuta ativa dos jovens e de construção coletiva de ambientes digitais mais seguros.
O videocast De Mente Aberta é um projeto do Instituto Cactus que, nesta temporada, coloca a juventude no centro do debate. A cada episódio, integrantes do Comitê de Jovens da organização conversam com especialistas sobre temas ligados à saúde mental. Os conteúdos são lançados quinzenalmente no Spotify e no Youtube.

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Marcos Paulo Bastos

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