Mercado precifica alta de juros nos EUA até dezembro com Warsh no Fed

Com Kevin Warsh assumindo a liderança do Federal Reserve, os investidores no mercado de títulos estão apostando que sua gestão priorizará a credibilidade da autoridade monetária no esforço de conter a inflação, em vez de sucumbir às pressões do presidente Donald Trump por taxas de juros mais baixas.

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O conflito com o Irã provocou o maior salto inflacionário desde 2023, e os operadores já precificam como praticamente certa a probabilidade de o Fed iniciar uma elevação dos juros até dezembro. Essa virada representa uma reversão abrupta em relação ao cenário de apenas três meses atrás, quando o mercado projetava cortes mais acentuados.

Essa mudança de perspectiva reflete o impacto da turbulência no Oriente Médio, a resistência da economia americana e o expressivo crescimento dos investimentos em inteligência artificial, que impulsionam as bolsas. Esses fatores intensificaram o receio de que a inflação possa permanecer acima da meta de 2% do Fed por um período mais prolongado.

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Em uma semana de forte volatilidade nos mercados, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dois anos – os mais sensíveis às expectativas de política monetária – subiram para 4,14% na sexta-feira. Esse é o patamar mais elevado em mais de um ano e fica quase 40 pontos-base acima do teto da faixa de referência do Fed. Já os rendimentos dos papéis de 30 anos chegaram a tocar 5,2% na semana passada, nível que não era visto desde 2007, antes de recuarem para 5,06%.

Warsh assume o comando do banco central em um contexto no qual um número crescente de dirigentes do Fed abandona a postura de afrouxamento monetário. O governador Christopher Waller, indicado por Trump e que defendia cortes nos juros no início do ano para proteger o mercado de trabalho, declarou na sexta-feira que o próximo movimento pode ser tanto uma alta quanto uma baixa. Uma série de autoridades, incluindo o vice-presidente Philip Jefferson e o presidente do Fed de Nova York, John Williams, têm discursos programados para esta semana.

No momento em que Warsh prestava juramento na sexta-feira, Trump – que repetidamente pressionou o Fed a reduzir os custos do crédito – afirmou que deseja que Warsh conduza o banco central de maneira independente.

Alguns investidores, como Chitrang Purani, gestor de portfólio da Capital Group, estão se tornando mais otimistas em relação aos Treasuries de curto prazo à medida que os rendimentos sobem e as altas de juros são precificadas.

“Acredito que a barreira para elevar os juros ainda é razoavelmente alta, porque o Fed e Warsh podem querer ter um pouco mais de paciência antes de dar o próximo passo, buscando entender melhor como a inflação está se refletindo no mercado de trabalho e nas condições financeiras”, afirmou Purani. “Pessoalmente, não acredito que a função de reação do Fed aos dados econômicos será materialmente diferente sob Warsh do que foi no passado.”

Além de acompanhar os discursos dos dirigentes do Fed, os operadores do mercado de títulos devem monitorar nesta semana os leilões de Treasuries de dois, cinco e sete anos, em busca de indícios sobre a demanda dos investidores.

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