A inflação argentina registrou desaceleração pela primeira vez em 11 meses, representando uma conquista para o presidente Javier Milei, depois que os preços haviam disparado em março devido ao choque do petróleo desencadeado pelo conflito no Irã.
No mês passado, os preços ao consumidor subiram 2,6% em relação a março, resultado ligeiramente acima da mediana de 2,5% projetada por economistas consultados pela Bloomberg. Na comparação anual, a inflação cedeu marginalmente para 32,4%, ante os 32,6% anteriores, conforme dados divulgados nesta quinta-feira pelo instituto de estatísticas Indec. O setor de transportes liderou as altas, com avanço de 4,4%, impulsionado pelos combustíveis, seguido pela área de educação.
O ministro da Economia, Luis Caputo, já havia adiantado em entrevista que o indicador mostraria uma desaceleração ante março e garantiu que os “melhores meses” para a economia chegarão em junho, após as eleições de meio de mandato do ano passado terem impactado negativamente o crescimento.
Em meio a uma série de escândalos de corrupção e a uma recuperação econômica desigual, a popularidade de Milei nas últimas semanas recuou ao menor patamar desde o início de seu mandato. A desaceleração inflacionária pode contribuir para reverter esse quadro.
Os preços vinham subindo ou se mantendo estáveis desde que atingiram a mínima de sete anos, de 1,5%, em maio do ano passado, chegando a 3,4% em março por conta do choque da guerra e dos reajustes do período letivo.
O governo implementou diversas medidas para conter novos aumentos nos combustíveis. A estatal YPF — que detém pouco mais da metade do mercado de combustíveis automotivos — comprometeu-se a manter os preços congelados até meados de maio. O Ministério da Economia suspendeu, em abril, um reajuste de imposto sobre combustíveis. No mês passado, o governo também interrompeu o plano de transferir as tarifas de importação de gás natural liquefeito da estatal Enarsa para o setor privado e está subsidiando as importações de gás para residências, escolas e hospitais durante o inverno austral.
Mais cedo nesta quinta-feira, a porta-voz do FMI, Julie Kozack, anunciou que o conselho executivo do organismo, sediado em Washington, votará na próxima semana a segunda revisão do programa de US$ 20 bilhões do país. O conselho pode liberar mais US$ 1 bilhão para a Argentina.
Economistas consultados pelo banco central em abril projetam inflação de 30,5% ao final de 2026, uma revisão para cima ante os 29,1% do mês anterior, e crescimento de 2,8%, abaixo dos 3,3% estimados anteriormente.







