Rússia intensifica ofensiva com maior bombardeio aéreo contra a Ucrânia
Autoridades ucranianas relataram, nesta quinta-feira (14), que a Rússia executou seu mais expressivo ataque aéreo em dois dias desde o início do conflito, lançando centenas de drones e bombardeando a capital Kiev e outras localidades.
Conforme informações oficiais, pelo menos 11 pessoas perderam a vida nos bombardeios.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Moscou lançou mais de 1.560 drones desde o início da quarta-feira (13). Ele detalhou que, durante a madrugada, foram disparados mais de 670 drones de ataque e 56 mísseis. As unidades de defesa aérea do país conseguiram abater 41 mísseis e 652 drones, um feito creditado à Força Aérea ucraniana.
“Essas ações definitivamente não são de quem acredita que a guerra está próxima do fim”, declarou Zelensky. O líder ucraniano enfatizou a importância de os parceiros internacionais não se silenciarem diante do ataque e de continuarem apoiando a proteção do espaço aéreo do país.
O presidente informou que, somente em Kiev, ao menos cinco pessoas morreram. Outras seis fatalidades foram registradas em um ataque diurno incomum na região oeste da Ucrânia, ocorrido na quarta-feira (13).
A invasão russa em larga escala teve início em fevereiro de 2022. O conflito, que já resultou em centenas de milhares de mortes e devastou vastas porções do território ucraniano, persiste apesar das tentativas de paz mediadas pelos Estados Unidos. Os avanços de Moscou no campo de batalha, no entanto, perderam força neste ano.
No sábado (9), o presidente russo, Vladimir Putin, declarou acreditar que a guerra estava se aproximando do fim. Até o momento, não houve pronunciamento oficial de Moscou sobre os ataques desta quinta-feira (14).
Zelensky apontou Kiev como o principal alvo dos bombardeios noturnos, com danos registrados em 20 pontos da capital. Autoridades locais relataram que aproximadamente 40 pessoas, incluindo duas crianças, ficaram feridas.
Equipes de resgate trabalhavam intensamente na remoção de escombros de concreto em um prédio residencial de nove andares atingido por um drone russo. O ministro do Interior, Ihor Klymenko, informou que mais de dez pessoas seguiam desaparecidas durante as buscas.
“Havia pessoas lá, crianças. O que aconteceu com elas? É preciso entender, um prédio inteiro desabou”, desabafou a aposentada Alla Komisarova, de 74 anos, à Reuters no local do ataque, visivelmente emocionada. “Ouvi algo voando, estava muito perto… E então veio um som terrível, e nossa casa, que fica em frente à atingida, pulou e balançou.”
Destruição generalizada e impacto humanitário
O presidente Volodymyr Zelensky declarou que, no total, 180 instalações foram danificadas em toda a Ucrânia, incluindo mais de 50 edifícios residenciais. Ele também informou que um veículo do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários foi alvejado por drones durante uma missão na cidade de Kherson.
Os bombardeios russos interromperam o abastecimento de água em Kiev. O prefeito da cidade afirmou que as autoridades estavam utilizando geradores para restabelecer o fornecimento às residências. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, pelo menos 28 pessoas, entre elas três crianças, ficaram feridas. O governador regional, Oleh Syniehubov, confirmou que a infraestrutura civil foi alvo dos ataques.
O Ministério da Energia ucraniano reportou a interrupção do fornecimento de eletricidade em 11 regiões. Autoridades também informaram que os ataques atingiram a infraestrutura portuária na região sul de Odessa e as ferrovias.
O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, afirmou que a ofensiva, ocorrida enquanto o presidente americano Donald Trump visita a China, demonstra a intenção da Rússia de continuar lutando, desconsiderando os esforços de paz de Washington. Ele defendeu a necessidade de pressionar Moscou para encerrar o conflito. “Tenho certeza de que os líderes dos Estados Unidos e da China têm influência suficiente sobre Moscou para dizer a Putin que finalmente ponha fim à guerra”, escreveu na rede social X.
O ministro da Defesa britânico, John Healey, também se manifestou nas redes sociais, afirmando ter instruído as autoridades a enviarem ajuda para a defesa aérea ucraniana “o mais rápido possível”.







