Não são poucos os relatos de violência contra a mulher que estampam as manchetes policiais todos os dias. No Brasil, 50% das pessoas conhecem alguma mulher que sofre ou já sofreu algum tipo de agressão por parte do atual ou do antigo companheiro. Mas o que chama a atenção é que apenas 6% dos homens admitem já terem cometido violência doméstica.
É o que aponta a pesquisa realizada em outubro deste ano, pelo Ipec, em parceria com o Instituto Patrícia Galvão e o Instituto Beja.
Os números da pesquisa levantam muitos questionamentos. Dentre eles, se pode indagar a forma como a violência contra a mulher é percebida por aqueles que a praticam.
É justamente o que comenta a dona de casa M.T.P, de 34 anos. Moradora de Vila Velha ela, além de ter sido vítima de violência doméstica, presenciou no prédio onde mora uma mulher a sendo agredido violentamente.
“Quem bate esquece. Quem apanha lembra para sempre. Por isso que esses homens disseram que nunca agrediram. Eles acham que agressão é só porrada, mas não é não. Agressão é falta de carinho, de amor, chantagem, violência psicológica e financeira”, esclarece.
O Portal MovNews publicou recentemente os números da violência contra e mulher no Espírito Santo e tentou explicar, por meio de especialistas, porque os números só aumentam. Eles são unânimes em afirmar que o machismo histórico é o que fundamenta a cultura da violência e sustenta esses números assustadores.
No Espírito Santo, segundo dados da Secretaria de Estado da Justiça (Sesp), foram registradas 1.889 ocorrências da Lei Maria da Penha nos primeiros 10 meses de 2022, total 13% a maior que no mesmo período de 2021, que teve 1.667. Até outubro, o Estado já contabilizava 1.7018.
Mediação de Conflito
De volta aos números da pesquisa, realizada para levar e consideração os diversos aspectos que englobam os casos de violência doméstica, após tomar conhecimento de casos de violência, a maioria dos brasileiros procura as vítimas para conversar e, no geral, oferece conselhos focados na segurança e no bem-estar das mulheres, como para denunciarem as agressões à polícia (53%) e terminarem o relacionamento (48%).
No entanto, uma minoria recomenda que as vítimas tomem atitudes visando a manutenção da relação, como para procurarem a Igreja (8%) – sendo as mulheres as que mais dão este conselho –, mudarem de comportamento para que o parceiro não fique irritado (7%) e reconsiderarem e fazerem as pazes (6%) – sendo os homens os que mais falam isso.
Apenas 1 em cada 4 homens conversa com o agressor depois de ficar sabendo sobre um caso de violência doméstica. Esse número é ainda menor entre as mulheres – somente uma em cada 10.
Cultura
Para o sociólogo Carlos Alvarenga de Ortiz, chefe do Núcleo de Estudos da Violência Social, séculos de cultura machista delimitaram o comportamento do homem, normalizando a violência na sociedade.
“Uma verdade cultural que hoje em dia está praticamente ultrapassada é a que afirmava que em briga de casal não cabia a ninguém de fora se envolver. Se omitir, atualmente, é quase uma cumplicidade com a violência. A sociedade, as mulheres em especial, estão perdendo o medo de denunciar, por isso que mais casos estão aparecendo”, afirma.







