A dificuldade em perceber sinais de violência contra crianças e adolescentes, especialmente no âmbito familiar, levou ao lançamento do programa Guardiões da Infância na Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
A iniciativa busca capacitar profissionais que trabalham diretamente com esse público para identificar indícios precoces de abuso e seguir os protocolos corretos de encaminhamento. O programa abrange setores como educação, saúde, assistência social e conselhos tutelares, com ênfase na ação coordenada entre essas áreas.
A implementação contará com o apoio da Casa dos Municípios da Assembleia e deve chegar a diversas cidades do estado. A ação prevê a inclusão de gestores públicos, técnicos da rede de proteção e representantes da sociedade civil.
Dados sobre violência infantil
Conforme informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, o Espírito Santo registra, em média, aproximadamente 390 crianças vítimas de violência anualmente. Especialistas apontam que parte desses casos tende a ser repetitiva e muitos sequer são notificados às autoridades.
Idealizador do projeto, o psicólogo forense Rafael Monteiro destaca que a dificuldade de identificação está relacionada à maneira como a violência se apresenta. Ele explica que a criança muitas vezes não consegue verbalizar o abuso, mas demonstra mudanças comportamentais que podem ser ignoradas por falta de capacitação adequada.
Monteiro também ressalta a negligência emocional como um fator de risco em ascensão, observando que existem situações em que as crianças estão fisicamente acompanhadas, mas carecem de suporte afetivo, o que aumenta sua vulnerabilidade.
O programa tem como objetivo atuar diretamente com os profissionais na linha de frente do atendimento, como professores, equipes de saúde, assistentes sociais e conselheiros tutelares, que geralmente são os primeiros a observar mudanças no comportamento das vítimas.







