Afogamento de crianças: especialista diz que causas são evitáveis e ensina cuidados

O afogamento é uma das principais causas de morte em todo o mundo para crianças e jovens de 1 a 24 anos. Todos os anos, cerca de 236 mil pessoas morrem afogadas, de acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Especialistas afirmam que alguns cuidados são obrigatórios quando se trata de uma criança perto de um local onde possa se afogar. Em entrevista ao R7, a médica Luci Yara Pfeiffer, presidente do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria, as causas de mortes por afogamento são “evitáveis” e são necessários cuidados básicos. “Um deles é que crianças com idade até 10 anos precisam de um acompanhante próximo, na distância de até um braço.”

Ela explica que pequenos de até 4 anos que ficam no colo de adultos não precisam de uma proteção extra. Mas, se forem ficar na água, é importante que vistam um colete salva-vidas, especialmente se for um lugar onde não der pé, explica a especialista. O ideal, no entanto, é que as crianças permaneçam onde consigam firmar os pés no fundo com segurança.

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Em relação à proteção a ser usada, ela descarta o uso das boias tradicionais. “Elas não protegem. No caso das redondas, a criança pode escapar pelo meio, ou a boia pode virar. As de braço também não dão garantia. O recomendável por todas as associações de pediatria é o uso de coletes”, diz.

Luci Pfeiffer alerta para a possível distração dos adultos quando as crianças estão na piscina. “Se está cuidando da criança, não pode ficar no celular”, afirma. A médica explica que qualquer distração é perigosa. “Em até dois minutos a criança inspira água e em quatro perde a consciência”, afirma.

Crianças com mais de 10 anos e que sabem nadar podem não usar o colete, mas precisam de supervisão, explica a médica. Ela avalia que o ideal é que haja um adulto para cada grupo de até cinco crianças, e lembra que piscinas de uso coletivo demandam a presença de um salva-vidas.

Paralelamente aos cuidados, é importante que as crianças, se possível, façam curso de natação com pessoas que saibam ensinar. “Se vão a piscinas e outros ambientes com água com frequência, é recomendável que os pais aprendam a nadar também”, avalia.

Outros ambientes

Luci Pfeiffer afirma que crianças de até 4 anos têm o peso da cabeça proporcionalmente superior ao do resto do corpo e têm dificuldade para se levantar se tombam com a cabeça para baixo. Por isso, “crianças não podem entrar sozinhas em ambientes com água”, defende.

Bacias, baldes, vasos sanitários e até máquinas de lavar roupa podem representar riscos. “Às vezes, um local com 3 cm de água é suficiente para uma criança se afogar. O instinto vai fazê-la respirar, e ela pode acabar se afogando com a entrada de água nos pulmões”, explica.

Para crianças maiores, que já praticam esportes, como caiaque, ou frequentam outros ambientes relacionados a rios ou mares, como embarcações, o uso de colete salva-vidas também é fundamental.

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