Maio Laranja traz conscientização para combate à exploração sexual infantil

“Eu tinha que trabalhar e a creche de Cariacica só aceitava crianças a partir de três anos. O meu filho tinha 2 anos e a filha da mulher que cuidava dele tinha 13 anos. A mãe dela contou que os dois estavam no quarto bem silenciosos. Quando entrou, o meu filho estava em cima dela, sem roupa. Eu fiquei muito assustada com esse relato. Comecei a perceber que meu filho estava começando a ficar meio afeminado e só queria ir no colo dos homens, como se fosse um trauma. Procurei uma psicóloga, que me orientou a tratar meu filho normalmente, deixar ele assistir mais a desenhos de menino, com lutas e trocar os brinquedos também para futebol”.

Continua após a publicidade

Esse é o relato de uma mãe atenta à conscientização da campanha Maio Amarelo. O mês trata do combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. O objetivo é alertar a população sobre sinais de que os pequenos estão sofrendo uma violação de direitos.

Como geralmente são os casos?

Continua após a publicidade

Normalmente, o abusador é uma pessoa aparentemente normal, que nem sempre age de forma agressiva.

Geralmente, é uma pessoa que as crianças e os adolescentes conhecem e têm alguma relação próxima com a vítima, seja um pai, padrasto, tio, mãe, madrasta, tia, vizinho e até amigos da família.

Como prevenir?

A melhor forma de prevenção é ficar de olho, pois a maioria dos casos de abuso sexual não deixa vestígios físicos evidentes.

Pais devem encorajar seus filhos a contar sobre qualquer pessoa que o deixem infelizes, confusos ou com medo. Saiba sempre onde estão, com quem estão e o que estão fazendo. Ensine a criança e o adolescente a não aceitar convites, dinheiro, comida e favores de estranhos, especialmente em troca de carícias.

Importante também supervisionar uso da internet e redes sociais. Oriente seu filho a não enviar fotos ou fornecer dados (nome, idade, telefone, endereço, senha) a pessoas desconhecidas.

Como tratar?

Vítimas de abuso sexual precisam de acompanhamento terapêutico para lidar com a situação e com os traumas decorrentes da prática, a qual acarreta consequências físicas, cognitivas e psicossociais.

Muitas vezes as vítimas de abuso sexual não conseguem falar sobre o que passaram. Crianças e adolescentes tem o sentimento de culpa partilhado, sentindo-se também responsáveis pelo abuso; o que, segundo Tilman Furniss, é o principal fator de existência da “Síndrome do segredo” ou “Síndrome do silêncio”. Também temem ser castigadas, desacreditadas e responsabilizadas . O que muitas vezes leva a mentirem sobre o abuso de forma consciente.

“Na abordagem sistêmica, os abusos sexuais também são trabalhados, e podem desencadear muitas dinâmicas disfuncionais que comprometerão a vida da vítima. Dinâmicas que vão desde a dificuldade de confiar em alguém até disfunções nos relacionamentos. O trauma do abuso compromete as relações afetivas na vida adulta”, afirma a terapeuta de Constelação Familiar Sistêmica Laydiane Silote Barbosa.

Casa Rosa

A Prefeitura de Vitória oferece na Casa Rosa é um serviço especializado de acolhimento e acompanhamento integral em saúde para pessoas em situação de violências, residentes no município de Vitória. No local, atua uma equipe multidisciplinar composta por: médico, equipe de enfermagem, serviço social, psicólogo e terapeuta ocupacional.

A Casa Rosa atende pessoas em todos os ciclos de vida e suas famílias, que estejam vivenciando situação de violência sexual, física, psicológica, negligências crônicas, dentre outras. Ela foi ambientada de maneira acolhedora e humanizada e tem a borboleta como símbolo, fazendo analogia a metamorfose, visando a transformação na vida das pessoas.

A casa conta, ainda, com uma brinquedoteca dedicada às crianças e adolescentes.

Violência Sexual

Em Vitória, no ano de 2020, foram registrados 222 casos de violência, sendo 164 casos contra crianças e adolescentes (pessoas até 19 anos), o que representa 73,58% das ocorrências. Dos 164 casos, 92,7% foram vítimas de violência sexual.

Em relação aos dados de 2020, deve-se considerar o contexto da pandemia, onde houve uma queda de 32,8% nas notificações.

Em 2021, foram registrados 2.060 casos de violência, sendo 941 casos contra crianças e adolescentes (pessoas até 19 anos), o que representa 45,6% dos casos. Dos 941 casos, 203 foram vítimas de violência sexual.

Já em Vila Velha foram registrados em 2022 até o momento: 180 casos destes 93 moram em Vila Velha. No ano passado em 2021, foram registrados 225 atendimentos sendo 168 que moram em Vila Velha.

“Atendo muitas mulheres em sessões de Constelação Familiar cujo tema trazido para ser trabalhado são as relações afetivas. Uma delas estava em processo de separação conjugal, por dificuldades conjugais. No decorrer da sessão ficou evidenciado que o bloqueio sexual presente no casamento estava relacionado ao abuso sofrido na infância, pelo pai”, disse a terapeuta de Constelação Familiar Sistêmica Laydiane.

Data

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescente (18 de maio) presta uma homenagem à jovem Araceli, assassinada de maneira brutal em 1973, no Estado, aos 8 anos de idade.

O Disque 100 é um serviço gratuito para denúncias de violações de direitos humanos e de violência contra a mulher.

 

 

 

 

Continua após a publicidade
Redação
Redação
Equipe de jornalismo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Vitória, ES
Temp. Agora
24ºC
Máxima
30ºC
Mínima
23ºC
HOJE
28/04 - Ter
Amanhecer
05:56 am
Anoitecer
05:20 pm
Chuva
0mm
Velocidade do Vento
3.09 km/h

Média
25.5ºC
Máxima
29ºC
Mínima
22ºC
AMANHÃ
29/04 - Qua
Amanhecer
05:56 am
Anoitecer
05:20 pm
Chuva
0mm
Velocidade do Vento
7.64 km/h

A buzina do machismo soa alto demais

Caroline Pignaton

Leia também