Maciel de Aguiar: Artista não pode receber esmola, afirma escritor

Nascido em Conceição da Barra, Maciel de Aguiar é uma dessas pessoas que não aprenderam a desistir. Desde a infância ele enfrentou trabalho árduo para convencer a família, professores e amigos de que seria um grande escritor.

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Alías, Maciel de Aguiar foi expulso da escola por querer ser alfabetizado em dinamarquês. Isso mesmo. Aos 9 anos de idade ele ganhou um livro no idioma nórdico e colocou na cabeça que aquela era uma língua mais atraente para ser praticada.

Infância à parte, Maciel de Aguiar tem hoje publicados 143 livros com temas diversos, sendo o último Ayrton Senna, o herói do Brasil. Numa conversa franca e aberta, o escritor teceu duras críticas aos artistas capixabas por aceitarem “esmolas” dos governos para sobrevirem de arte.

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“Artistas, escritores, atores não podem ficar com o pires nas mãos, esmolando recursos que mal mal dão para sobreviver. E é isso o que acontece no Espírito Santo e no Brasil. A arte não é importante e é tratada com descaso, mas também porque as pessoas aceitam esses trocados para tocar uma cultura que sucumbe dia a dia”, desabafa.

Reforma eterna

Maciel de Aguiar foi ainda mais longe e teceu críticas também aos gestores da cultura no Estado. Segundo ele, o principal equipamento cultural da capital, Vitória, o Teatro Carlos Gomes está fechado há oito anos, numa reforma eterna que penaliza a população, deixando-a órfã do palco e da arquitetura de época que a é marca do teatro.

“Uma capital, um Estado que tem um teatro deste porte e o mantém fechado não pode levar a administração da cultura a sério. Os espaços culturais são os lugares de fala do cidadão, o lugar dele se maravilhar com a arte. Fechado, o teatro não serve para nada, só para criar mato, como está acontecendo no telhado do Carlos Gomes”, alfineta.

Crítico das administrações públicas, Maciel de Aguiar ainda apontou para o Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, um conglomerado de prédios culturais que já abrigaram um Teatro, duas salas de cinema e uma biblioteca.

“Hoje aquilo lá está abandonado, jogado às traças, com usuários de drogas. Isso perto da rodoviária da cidade e rodeados de morros com moradores que querem e precisam de arte, cultura e letras. Jogamos fora o que outras capitais gostariam de ter e não têm”, revela indigando.

Ainda de acordo com Maciel de Aguiar, que foi finalista do Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do mercado literário brasileiro, outros equipamentos culturais, como o Museu do Negro, a FAFI, o Mercado São Sebastião e a Fábrica 747 seguem a mesma a linha do Carlos Gomes, sendo sucateados, desfigurados ou simplesmente trancados para não receberem o público que merecem.

“Lamentável, mas isso reflete também a capacidade do povo capixaba em não se rebelar contra isso. Um povo culto reclama, pede e mostra ao governante o caminho para uma aproximação entre povo, arte, cultura e políticas públicas”, afirma.

Mas a entrevista com Maciel de Aguiar não foi só de puxão de orelha dos governantes. Maciel contou sobre a sua infância pobre, no Norte do Estado. Segundo ele, ter se tornado um escritor foi pura perseverança.

“Nem meu pai acreditava em mim. Minha professora me expulsou da escola e eu me tornei um escritor contra tudo e contra todos. Talvez o ofício de jornalista em alguns periódicos capixabas tenha me forjado como escritor, mas carrego comigo o peso de uma infância que me enche de alegria, pois foi lá, com meu livre dinamarquês, que despertei olhos, ouvidos e coração para as letras, para os livros que tanto amo”, revela.

Em meio século de atividade, Maciel de Aguiar lançou 143 livros, incluindo obras sobre Rubem Braga, Pelé e Oscar Niemeyer, além de publicações sobre a história dos quilombolas e sobre a repressão da ditadura militar, chegando a ser indicado para o Prêmio Jabuti com o livro “Os Anos de Chumbo”.

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