O deputado e médico Dr. Emilio Mameri (PSBD) apresentou Projeto de Lei (PL) à Assembleia Legislativa que determina a realização pela rede pública do Espírito Santo do teste do olhinho nas crianças nascidas no Estado. O projeto do deputado visa estabelecer com essa prática um diagnóstico precoce que permita aos pais buscarem o tratamento adequado antes que a doença se desenvolva.
Mameri se baseou no episódio da filha do apresentador de televisão Tiago Leifert, de repercussão nacional.
O deputado Dr. Emilio Mameri (PSBD) afirma que a grande repercussão que levou ao conhecimento da retinoblastoma, desconhecida pela maioria, o levou a constatar que existem crianças diagnosticadas com esse câncer raro no Espírito Santo. Um teste preventivo, segundo ele, logo após o nascimento, pode evitar de forma significativa o desenvolvimento da doença que pode levar à cegueira.
Em nível nacional, de acordo com dados registrados pelo Ministério da Saúde, o câncer ocular retinoblastoma acomete mais crianças de 2 a 5 anos e representa cerca de 3% dos cânceres infantis, chegando a uma média de 400 casos por ano no país.
“O intuito é tornar o teste obrigatório nas maternidades. No início da vida da criança é importante dar continuidade ao teste do olhinho e, se necessário, consequentemente iniciar o tratamento correto e precoce para que essa pessoa não perca a visão e possa ter uma vida sadia. Infelizmente não é o que acontece, na maior parte das vezes, o diagnóstico é tardio e não temos o que ofertar do ponto de vista de recuperação em função da lesão que está destruindo a visão da pessoa”, explicou Emílio Mameri.
O parlamentar afirmou ainda que o Projeto de Lei servirá de base para que outros Estados atentem para a obrigatoriedade das maternidades ofertarem esse tipo de exame ocular após o nascimento.
“Ao levantar essa questão do ponto de vista parlamentar, nós estamos prestando serviço a outros Estados, uma vez que outros parlamentares também vão ter essa ideia ou seguir o que nós estamos fazendo aqui no Espírito Santo”, enfatizou.
O Projeto de Lei tramita na Assembleia Legislativa desde a última quarta-feira (8). O teste do olhinho objetiva também, de acordo com o autor, trazer mais visibilidade para essa e outras doenças oculares.
“As maternidades públicas podem realizar o teste do olhinho para detectar várias doenças. Então, a partir disso a criança será acompanhada e terá que repetir esse teste outras vezes com o intuito de chegarmos à conclusão e os especialistas terem condições de confirmar o diagnóstico porque pode ser maligno, unilateral ou bilateral. Se nós cuidarmos de uma precocemente, podemos evitar que essa doença evolua”, disse o deputado.
Entenda o câncer raro Retinoblastoma
A Retinoblastoma é um câncer desencadeado geralmente em crianças. O tumor maligno raro é originário das células da retina, uma parte do olho responsável pela visão, e que pode afetar um ou ambos os olhos.
Em números mundiais, as estatísticas mostram que os números são de mais ou menos uma a cada 20 mil crianças que nascem com a doença.
De acordo com informações do Oftalmologista e presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Mario Motta, o tumor bilateral é mais precoce e mais agressivo e quando há essa indicação, trata-se de uma doença hereditária ou seja, a criança nasce com essa alteração.
O unilateral tem um crescimento mais lento e é menos agressivo. Nessa condição, a criança tem uma mutação que somente se manifesta mais tarde a partir do segundo para o terceiro ano de vida.
O presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia também explicou que os sintomas podem ocorrer quando a doença já se encontra em um estágio mais avançado. Quando isso acontece, aparece o chamado de baixar a visão do olho e o sair da posição. A criança fica com um desvio, mais conhecido também como estrabismo, mais comumente em um olho só, sendo raro nos dois.






