Treze petroleiros com Covid-19 impedidos de desembarcar de plataformas do ES

Ao menos 13 petroleiros com Covid-19 estão impedidos de desembarcar das plataformas P-57 e P-58, localizadas em Anchieta, no litoral Sul do Espírito Santo. Apesar de isolados em camarotes, os trabalhadores tiveram contato com outros funcionários que não foram afastados de suas funções e continuam trabalhando normalmente.  Mesmo apresentando sintomas, eles não conseguem deixar as unidades há 17 dias.

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As informações são do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), que tem recebido relatos dos trabalhadores dessas plataformas. A entidade afirma estar em curso um surto de contaminações pelo novo coronavírus e vem acompanhando a situação, considerada grave e que representa risco de mais infecções.

“Nós temos vários colegas com sintomas a bordo da P-57 e não está acontecendo testagem. Vários contatantes trabalhando na área. Tem contatante que agora começou a ter sintomas e já está 17 dias sem conseguir desembarcar”, critica Valnísio Hoffmann, coordenador geral do sindicato.

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Plataforma do tipo FPSO (unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo na sigla em inglês), a P-57 está localizada a 75 km da costa. Na visão do sindicato, a unidade tem quadro mais delicado em relação à Covid-19. De lá saíram boa parte dos casos narrados por funcionários.

De acordo com Hoffmann, a empresa tem alegado falta de recursos para realizar operações logísticas de desembarque dos trabalhadores nas duas plataformas – a retirada de infectados das unidades faz parte do protocolo de segurança da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O coordenador ainda acusa a Petrobras de se recusar a testar os funcionários, algo que, segundo ele, já ocorria antes das negativas para desembarque.

“Nós temos sintomáticos, contatantes que seguem trabalhando. A empresa se recusa a fazer testagem e, agora, alega que não tem logística para desembarcar”, diz Hoffmann, que questionou o argumento apresentado para não haver desembarque.

“A pergunta é: como uma empresa que distribui 60 bilhões para acionistas alega não ter dinheiro para contratar aeronaves para desembarcar? Isso é um absurdo”.

Covid

O surto de Covid-19 atinge ainda a plataforma P-52, do modelo flutuante e que produz no campo de Roncador, outro pertencente à Bacia de Campos, da qual também fazem parte as áreas de produção localizadas no Litoral Sul do Espírito Santo.

Em publicação nas redes sociais, o sindicato capixaba revelou que a diretoria do Sindipetro-NF, que representa os trabalhadores das plataformas do Norte fluminense, e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) já fizeram denúncias ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e vão pedir na Justiça o desembarque dos funcionários contaminados, além da interdição imediata de todas as unidades afetadas pelo surto de coronavírus.

Petrobras

Procurada para se posicionar a respeito das declarações do Sindipetro-ES, a Petrobras enviou nota por meio de sua assessoria de imprensa. A empresa diz que as plataformas seguem operando, seguindo todos os protocolos de prevenção ao contágio pela Covid-19 e acompanhando os profissionais infectados.

“Quando ocorre a confirmação de um caso positivo, o colaborador é isolado e segue sendo acompanhado pela área de Saúde até o seu desembarque. O mesmo ocorre com casos de colaboradores sintomáticos”, diz trecho do comunicado.

“Todos os novos casos confirmados nas plataformas P-57 e P-58 são assintomáticos ou com sintomas leves e estão sendo acompanhados pelas equipes de Saúde da Petrobras”, complementou.

A nota destaca que a empresa desempenha atividades operacionais que asseguram o atendimento de bens e serviços de primeira necessidade, “virtudes” que “nunca foram interrompidas” e “desempenhadas de forma contínua e de acordo com os mais rigorosos padrões de segurança”, dentre eles, “identificação e isolamento precoce de colaboradores com sinais e sintomas da doença”.

Por fim, a Petrobras expressa que os afastamentos em razão da Covid-19 não tiveram impacto significativo nas operações da companhia e que, “infelizmente”, o aumento nos casos confirmados da doença em todo país “tem reflexo também entre os colaboradores da indústria de óleo e gás”.

A empresa não comentou as alegações feitas pelo coordenador do sindicato de que estaria se recusando a garantir os desembarques e nem suas motivações.

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