E por que será que depois de tudo aquilo veio a frustração e o fastio? Como um excelente terapeuta, você já deve ter percebido quantas vezes foi citada a frase: “FIZ PARA MIM!” “ADQUIRI, AMONTUEI E ME ENGRANDECI!” (ou “AMONTOEI” – mantenha a forma que preferir, mas optei por “AMONTUEI” por ser a mais usual; se quiser manter “AMONTOEI”, não há problema).
Ele deve ter se frustrado porque, quando seu egoísmo passou e a “ficha” caiu, percebeu que tudo o que tinha feito foi apenas para si próprio. O resultado dos projetos e obras, no fim, foi como o fio de fumaça de uma vela depois que se apaga.
A síndrome de Salomão evidencia o lado obscuro de nossa condição humana. Por um lado, revela nossa falta de autoestima e de confiança em nós mesmos, ao pensarmos o quanto o nosso valor enquanto pessoas depende de como os outros nos avaliam. E, por outro lado, constata uma verdade inconveniente: continuamos fazendo parte de uma sociedade na qual se tende a condenar o talento e o sucesso alheios. Embora ninguém fale sobre isso, em um plano mais profundo, o fato de prosperar é mal visto. E ainda mais agora, em plena crise econômica, com a precária situação que assola milhões de cidadãos.
Esta síndrome é um comportamento paradoxal. Alguém que é especialmente bom em dar conselhos e encontrar as palavras adequadas não consegue aplicá-los a si mesmo. Toma decisões indevidas em sua vida pessoal.
Manifesta-se da seguinte maneira prática:
É mais fácil resolver os problemas dos outros. Resolver os próprios problemas é um peso insuportável.
É mais fácil ser mais objetivo, proativo e ponderado para pensar em soluções para os problemas dos outros e postergar a solução dos nossos problemas.
Esta síndrome pode se apresentar com nuances próprias:
Na vida das pessoas que constroem castelos na areia do egocentrismo e narcisismo.
Na vida das pessoas que gritam silenciosamente as dores da falta de autoestima ou baixa autoestima e crenças impossibilitantes.
O primeiro passo para superar o complexo paradoxal da Síndrome de Salomão está relacionado à percepção do seu “Eu perceptivo”, que consiste em compreender a futilidade de se deixar incomodar pela opinião que as outras pessoas têm sobre nós. Se pensarmos minuciosamente, temos medo de nos destacar devido ao que certas pessoas (movidas pelo desgosto gerado por seu complexo de inferioridade e juízo crítico temerário) possam dizer de nós para compensar suas carências e sentir-se melhor consigo mesmas.
O segundo passo: deixe de demonizar o sucesso alheio para começar a admirar e a aprender com as qualidades e os pontos fortes que permitiram que outros realizassem seus sonhos. Embora aquilo que cobiçamos nos destrua, o que admiramos nos constrói. Em vez de lutar contra o externo, devemos usar essa admiração para nos aperfeiçoarmos interiormente. E quando superarmos, individual e coletivamente, o complexo de Salomão, possibilitaremos que cada um contribua (de forma individual) com o melhor de si mesmo para a sociedade.
PARA TURBINAR O PENSAMENTO E FORJAR O CORAÇÃO E IMPLEMENTAR AÇÕES
Você é daqueles que sempre dá bons conselhos aos outros, mas não sabe como agir quando tem um problema?
Você é o filósofo hermeneuta desta frase: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”?
Você considera ser mais tranquilo e até interessante refletir sobre o mundo dos outros do que assumir a responsabilidade pelos próprios atos?
O seu maior problema tem sido ser o melhor amigo dos outros e o pior inimigo de você mesmo há anos?
Por que aplicamos mais sabedoria aos problemas dos outros do que aos nossos?
É fácil sugerir para os demais coisas como: “Você deve ousar, a vida é muito curta para ficar preso ao medo; no final você perde as melhores oportunidades, troque o chip”. Como conselho, é eficaz, brilhante e até inspirador. Entretanto, como funciona para você?
Você tem sido o seu próprio verdugo e carrasco? A autopiedade é sua sequestradora exigindo resgate?
Vale a pena saber que existe uma solução. Existe uma estratégia valiosa para superar esse curioso (mas comum) paradoxo subjetivo e irritante.
Seria muito útil contar com a sabedoria do Rei Salomão para nós mesmos, sermos os nossos melhores conselheiros, treinadores habilidosos do eu interior, gurus dos bons conselhos e da tomada de decisões infalíveis. Como fazer isso?
O paradoxo (síndrome) de Salomão não é exclusivo dele; muitas pessoas também enfrentam desafios semelhantes em suas vidas. A questão de como superar essa discrepância entre a habilidade de ajudar os outros e a dificuldade de lidar com problemas pessoais é complexa, mas existem algumas abordagens que podem ser úteis:
Autoconsciência: reconhecer a existência do paradoxo é o primeiro passo para lidar com ele. A autoconsciência permite que a pessoa reconheça suas limitações e áreas em que precisa trabalhar, aumentando a compreensão sobre suas próprias questões.
Busca de ajuda externa: assim como Salomão aconselhava os outros, ele poderia ter procurado aconselhamento ou apoio externo para lidar com seus próprios problemas. Às vezes é difícil ser imparcial em relação a nossos próprios dilemas, e um ponto de vista externo pode trazer clareza.
Aceitação e humildade: aceitar que ninguém é perfeito e que todos têm problemas é crucial para superar o paradoxo. A humildade permite que uma pessoa reconheça suas fraquezas e esteja disposta a aprender e crescer a partir delas.
Separação emocional: tentar distanciar-se emocionalmente dos próprios problemas pode ser desafiador, mas é necessário para adotar uma perspectiva mais objetiva e lógica ao enfrentá-los.
Autocompaixão: é fundamental lembrar que ninguém é imune a dificuldades. Praticar a autocompaixão pode ajudar a lidar melhor com as próprias questões, mostrando-se compreensivo consigo mesmo em momentos de falha ou vulnerabilidade.
Distância psíquica: encontrar soluções para nossos desafios diários imaginando que o problema não é nosso. Isso amplifica as ideias, aumenta a perspectiva e abre novas opções e possibilidades.
Conteúdos evocáveis: use frases na terceira pessoa – por que ele(a) se sente assim? O que ele(a) poderia fazer para se sentir melhor? Essas frases tornam-se catalisadoras para buscar soluções e ações objetivas. Diga a você mesmo(a), principalmente diante do espelho: “Você pode, você é capaz, você precisa, você consegue!”
Conversa intrapsíquica: faça uma reunião com sua vontade, memória, coração, mente, conceitos e juízos. Olhe-se no espelho e pergunte: Quem você é? Quem você está tentando ser? Quem você consegue ser? Enxergue o que pode ser feito. Faça o que deve ser feito. Pratique o que precisa ser feito.
PENSE E AVALIE
A síndrome de Salomão, aquela tendência de diminuir a si mesmo para não incomodar, não brilhar demais ou não despertar inveja, é mais comum do que parece. E a verdade é dura: viver assim é uma forma silenciosa de autossabotar o próprio potencial. A boa notícia é que dá para superar, e o processo é libertador.
A essência é simples: você não foi feito para caber no limite emocional dos outros.
A chave é reconstruir a relação entre o seu valor e o olhar alheio.
Você não controla a reação das pessoas, mas controla o quanto se permite encolher.
O Paradoxo de Salomão é uma ilustração intrigante e uma metáfora da complexidade do psiquismo humano. Salomão, o rei sábio, é lembrado por sua capacidade de resolver os problemas dos outros com sabedoria e justiça, mas sua luta em enfrentar e solucionar seus próprios dilemas é igualmente notável e inútil. Esse paradoxo destaca a importância da autoconsciência, humildade e busca de apoio externo na abordagem de nossos problemas pessoais.
É possível a superação da Síndrome de Salomão. Você pode se posicionar com mais firmeza. Suas relações podem ficar mais autênticas.
Assim, as oportunidades começam a aparecer e você se sente mais leve, mais inteiro, mais você.






