O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) liberou, na terça-feira (26), informações atualizadas do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) brasileiro, cobrindo o intervalo entre 2012 e 2024. Pela primeira vez em toda a série histórica, o Brasil atingiu o nível de desenvolvimento humano muito elevado, registrando uma pontuação de 0,805 em 2024, a marca mais alta já obtida pelo país.
Esses números integram uma nova versão do Radar IDHM, uma publicação que retorna após uma década de pausa. O estudo também comemora os 30 anos do primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano elaborado no Brasil e consolida o trabalho do PNUD no fortalecimento de políticas públicas focadas no desenvolvimento humano e na diminuição das disparidades.
De acordo com o líder do PNUD no Brasil, Claudio Providas, esse resultado é fruto de anos de esforços e iniciativas governamentais voltadas para a elevação da qualidade de vida da população. “Esse número não é irrelevante. Ele simboliza décadas de investimentos estatais, de medidas que prolongaram a existência, abriram as portas das instituições de ensino e colocaram dinheiro no bolso das pessoas. Isso merece um reconhecimento.”, destaca.
Disparidades que persistem
Embora o avanço seja histórico, o documento sinaliza que as desigualdades raciais, de gênero e regionais continuam expressivas no território nacional. Quando se aplica um ajuste pela desigualdade, o IDHM brasileiro recua de 0,805 para 0,641, evidenciando que uma parcela da população ainda está longe da média geral do país.
“O fato de o Brasil ter chegado a um IDH muito alto nos oferece uma base. O desafio agora é não se acomodar com a média. É utilizar essa base para edificar um sistema educacional que esteja à altura deste momento, um sistema com fluência tecnológica, consciente das pautas climáticas e economicamente transparente sobre as exigências futuras. A coletividade brasileira como um todo possui um papel determinante na elevação do IDH, e o desenvolvimento humano não é gerado exclusivamente pelo governo, apesar de sua atuação ser essencial. O relatório enfatiza fortemente a noção de decisões conjuntas.”, ressalta Providas.
Ao examinar os diferentes segmentos populacionais, o estudo revela que o IDH da população branca é de 0,851, superando a média nacional, ao passo que o índice da população negra é de 0,774. Entre homens e mulheres, os indicadores também apontam diferenças, especialmente quando se considera o IDHM ajustado pela renda do trabalho. O indicador masculino é de 0,802, enquanto o feminino atinge 0,798.
Os números também mostram contrastes regionais relevantes. No Rio Grande do Sul, por exemplo, um homem branco possui uma expectativa de vida média de 81 anos. Por outro lado, no Amapá, a média de vida de um homem negro é de 73 anos. Quanto à renda, uma pessoa branca no Distrito Federal aufere um rendimento médio de R$ 1.987, enquanto uma pessoa negra no Maranhão registra uma média de R$ 446.
Conforme a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, a economista Betina Barbosa, a expansão do IDHM brasileiro está diretamente vinculada aos progressos na educação, especialmente entre a população negra. “O desenvolvimento brasileiro não vai progredir se não for um desenvolvimento que abranja a todos. Inclusão significa integrar a população negra e as mulheres no conjunto de políticas públicas.”, afirma.
O papel da educação
A pesquisa indica que a educação foi o componente que mais alavancou o aumento do IDHM brasileiro durante todo o período analisado. O documento também relaciona parte desse progresso a políticas de inclusão e de permanência escolar, como o Bolsa Família, que contribuiu para elevar a frequência nas escolas e reduzir o trabalho infantil.
“O Brasil atingiu sua maior pontuação, mas agora ingressa em uma nova fase de desenvolvimento. É um desafio de uma nação madura, que precisa lidar com desigualdades históricas de raça, gênero e renda.”, complementou Betina Barbosa.
Outro ponto enfatizado pelo levantamento mostra que iniciativas públicas direcionadas à inclusão social estão ajudando a diminuir disparidades seculares. Em 2021, estimava-se que a população negra levaria 35 anos para alcançar o mesmo IDH da população branca. Em 2024, essa projeção foi reduzida para 26 anos.
O estudo também aponta as consequências da pandemia de Covid-19 sobre os indicadores sociais. Nos anos de 2020 e 2021, houve uma retração nos índices de desenvolvimento humano em todo o território nacional, impactando especialmente a longevidade, a renda e a educação. De acordo com o PNUD, o Brasil ainda não recuperou por completo o ritmo de crescimento que apresentava antes da crise sanitária.
Acesse o relatório completo aqui.






