A Casa da Igualdade Racial do Rio de Janeiro sediou, nesta sexta-feira, a apresentação do Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos, um evento que congregou lideranças, representantes institucionais e membros das comunidades ciganas. O encontro proporcionou um espaço relevante de escuta, articulação e fortalecimento das reivindicações históricas desses povos no Brasil.
Em nome do Ministério da Igualdade Racial, a coordenadora-geral de Políticas para Povos Ciganos, Edilma do Nascimento, ressaltou que a reunião representou um momento crucial para ouvir e articular ações diretamente com as comunidades ciganas fluminenses.
“Conversamos com representantes das comunidades ciganas aqui no Rio de Janeiro, conhecendo suas demandas e entendendo a urgência de avançar nas políticas públicas e na luta contra o anticiganismo neste território”, declarou.
A atividade fez parte das celebrações do Maio Cigano e funcionou como um fórum de discussão sobre os obstáculos enfrentados pelas comunidades ciganas, além de traçar rotas para o aprimoramento de políticas públicas focadas no combate ao anticiganismo.
Conforme a coordenadora-geral, a conclusão das ações do Maio Cigano na cidade reafirma o compromisso do MIR em desenvolver, de maneira colaborativa, novas iniciativas voltadas para a garantia de direitos e o incremento da participação dos povos ciganos.
PNPC em foco
O Plano Nacional de Políticas para Ciganos consolida o compromisso do ministério com a elaboração de políticas públicas forjadas no diálogo direto com os próprios povos ciganos, reconhecendo suas necessidades históricas e aprimorando os mecanismos de participação social. A criação deste Plano marca um avanço significativo para estruturar ações duradouras que promovam igualdade racial, cidadania e justiça social para as comunidades ciganas em todo o território nacional.
Representatividade e Identidade Étnica
Durante o encontro, lideranças ciganas de diversas regiões trouxeram contribuições essenciais para a formulação de políticas públicas alinhadas com a dignidade, a reparação histórica e a participação social efetiva. Os principais desafios mencionados por essas lideranças incluem a dificuldade de acesso a direitos fundamentais, o combate ao anticiganismo, a implementação de políticas de inclusão social e o reconhecimento das identidades e trajetórias dos povos ciganos no Brasil.
Yan, cigano da etnia Calon do Rio de Janeiro e membro de uma família tradicional do Catumbi, enfatizou a necessidade de reconhecer os povos ciganos como grupos étnicos historicamente racializados, perseguidos e vítimas do anticiganismo estrutural. “O que buscamos é acesso à saúde, educação, moradia, território, combate ao anticiganismo e participação política legítima”, disse.
Jucélio Dantas, também da etnia Calon, destacou a relevância de uma representação autêntica dos povos ciganos nos espaços institucionais e na formulação de políticas públicas. Para ele, é crucial distinguir a identidade étnica cigana de construções folclóricas e espiritualizadas que, historicamente, contribuíram para a exotificação e o apagamento das verdadeiras comunidades ciganas.
A ativista cigana Dessire, do coletivo Ciganagens, enfatizou a importância de ouvir e construir espaços institucionais voltados às necessidades dos povos ciganos no Rio de Janeiro. Em sua fala, ela destacou o papel da Casa da Igualdade Racial como um local de acolhimento e diálogo, além de alertar para os efeitos do que chamou de “misticismo recreativo” associado à identidade cigana. Para Dessire, práticas e discursos ligados à ideia de “ciganos espirituais” ou “ciganos de alma” invisibilizam as comunidades ciganas reais e reforçam estereótipos que dificultam o reconhecimento de suas demandas concretas.







