Assentamento no Piauí investe em viveiro coletivo para renda de jovens

No Piauí, um viveiro de mudas construído no assentamento 17 de Abril, localizado na zona rural de Teresina, representa uma aposta em uma experiência coletiva que combina geração de renda, preservação ambiental e o protagonismo da juventude do campo. A iniciativa surgiu há poucos meses, inspirada pelas bem-sucedidas experiências individuais de assentados que já cultivavam mudas em seus próprios quintais.

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No espaço, são cultivadas espécies nativas do semiárido e de áreas de transição, como jatobá, aroeira, angico e caju, além de espécies exóticas obtidas por meio de trocas com assentamentos de outros estados, entre elas café, açaí, cacau, cupuaçu e pupunha. A ação conta com o envolvimento de estudantes e professores da escola pública da comunidade, o Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Lucas Meireles.

Emanoel Christian da Silva Lima, estudante do 3º ano do ensino médio, explica que o projeto do viveiro está conectado ao programa Jovens do Campo, desenvolvido por professores de Biologia e Geografia da escola Lucas Meireles e associado também a uma horta comunitária. Segundo ele, a proposta visa criar alternativas econômicas para a juventude rural, pautadas por boas práticas ambientais.

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“É uma aposta de geração de renda para os jovens, com uma preocupação de preservação do meio ambiente e sem uso de agrotóxicos, com a utilização de biofertilizante a partir de material orgânico”, afirmou Emanoel.

De acordo com o estudante, os alimentos cultivados na horta comunitária poderão, futuramente, abastecer o mercado consumidor de Teresina e até mesmo a própria escola, por meio de programas institucionais de aquisição de alimentos.

Ana Barbosa Santiago de Sousa, outra aluna envolvida no projeto e também estudante do 3º ano do ensino médio, ressalta a importância do viveiro diante dos debates globais sobre mudanças climáticas e recuperação ambiental.

“As mudas que produzimos aqui contribuirão com o reflorestamento de áreas degradadas”, disse. Animada com os primeiros resultados do projeto, ela comemora o crescimento das plantas cultivadas no espaço coletivo. “Tenho uma mão boa. Já tem várias plantinhas crescendo”, completou Ana.

Sustentabilidade

José Odacir Meireles Alves, vice-presidente da Associação dos Assentados do 17 de Abril, é um dos coordenadores do viveiro coletivo, erguido nos fundos da escola do assentamento. Segundo ele, o espaço vem sendo estruturado gradualmente, em conjunto com uma casa de sementes em desenvolvimento, voltada também para a preservação de espécies.

“Uma preocupação que temos no assentamento é com a produção de forma sustentável, sem utilização de agrotóxico nos lotes. No viveiro e na horta, seguimos a mesma lógica. Para o plantio das mudas, trabalhamos com compostagem, que garante um bom adubo para as plantas”, afirmou José Odacir.

Ele acredita que, em cerca de dois anos, o viveiro coletivo estará consolidado e funcionando de forma autossustentável, assegurando renda para os jovens integrados à proposta. Além da comercialização de mudas para comunidades vizinhas, a expectativa é que a iniciativa também possa se inserir em programas públicos de reflorestamento.

Na fase atual de implantação, o projeto conta com o apoio da entidade Amigos da Terra Dinamarca (Noah), que desenvolve ações voltadas à agroecologia e ao reflorestamento em assentamentos rurais. No Piauí, a parceria com a instituição dinamarquesa também envolve o assentamento Malhada Inca, no município de Canto do Buriti.

Geração de renda

Uma das experiências individuais de viveiro já desenvolvidas por assentados do 17 de Abril é a de Adilson de Apiaim, que há mais de dez anos começou a cultivar mudas diversas nos arredores da casa em que vive, produzindo ainda adubo próprio por meio de compostagem.

Inicialmente sem grandes pretensões comerciais, o viveiro doméstico acabou se transformando em um complemento de renda para a família. Hoje, Adilson comercializa espécies nativas e de outras regiões para moradores de comunidades vizinhas e planeja concorrer a um edital da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio do Programa de Aquisição de Alimentos, em uma modalidade específica para agricultores familiares que vendem mudas e sementes.

“A partir de meu viveiro, vendo mudas, faço trocas e também doações. Produzo moringa, pitanga, manga e várias outras espécies. Agora mesmo estou testando a produção de mudas de maçã”, afirmou.

Segundo ele, tanto as experiências individuais quanto as coletivas com viveiros reforçam a campanha nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, que pretende plantar 100 milhões de árvores até 2030.

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