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Todo filme de desastre começa com cientistas sendo ignorados(as)

Bolsonaro está ausente do cenário, mas o seu projeto de destruição continua aterrorizando a Ciência brasileira. Como vimos pelo noticiário da última semana, a situação teria se complicado severamente para as universidades federais e institutos de pesquisa, se não houvesse recuo, e não haveria como pagar as contas neste final de ano, assim como as bolsas dos cientistas, médicos residentes e estudantes em um final de ano dramático.

A primeira medida foi o bloqueio orçamentário das universidades federais (o terceiro do ano de 2022). Como sabemos, o Brasil tem 68 universidades federais, distribuídas em todo o território nacional e que realizam parte significativa da pesquisa do nosso País. Portanto, o ataque às universidades faz parte do ataque à Ciência.

Ao perceber a grande movimentação e o grande apoio da sociedade às universidades, o MEC anunciou o retorno dos recursos. Porém, no mesmo dia, o Ministério da Economia tratou de retirá-los novamente. Em seguida, recuou mais uma vez. Bagunça ou desrespeito?

Não bastasse a falta de respeito com as instituições, poucas horas depois o MEC anunciou também que não teria recursos para pagar as bolsas de estudo da CAPES, bem como os salários dos residentes médicos e multiprofissionais. Agora, voltou atrás…

O Grupo de Trabalho de Transição na área da Educação, coordenado pelo ex-Ministro José Henrique Paim, vem conduzindo a transição com forte atuação e conhecimento do setor, mas ao invés de se ocupar do planejamento dos primeiros passos do futuro governo, tem buscado auxiliar a resolver a balbúrdia que marca o atual governo, na área. Foram quatro anos de reiteradas notícias e medidas que levam à destruição da Educação Superior e da Ciência.

A CAPES, um órgão vinculado ao Ministério da Educação, é a principal responsável pelas bolsas de estudos de mestrado e doutorado de universidades públicas, privadas e institutos de pesquisas. Com o anúncio de retirada abrupta do seu financeiro, exatamente nos dias de pagamentos aos bolsistas, instalou-se o medo entre aqueles que dependem das bolsas e salários para a sua subsistência. Uma dúvida logo se instala: por que o governo ameaçou a comunidade acadêmica com esta medida no apagar das luzes do último ano do seu mandato?

Seria a marca de uma vingança contra os jovens e futuros cientistas, depois de tantos cortes de recursos, falta de condições de pesquisa, pressões de todos os lados, além das perseguições a pesquisadores e cientistas?

Apesar do recuo, a situação continua dramática por todos os lados. O governo de Jair Bolsonaro foi o que mais cortou verbas para a Educação e a Ciência. As instituições vêm lutando para pagar auxílios de transporte e alimentação a graduandos de baixa renda em seus programas de Assistência Estudantil, e foram confrontadas com a instabilidade da situação das bolsas de seus mestrandos e doutorandos.

Importante salientar que as bolsas de estudo são fundamentais para a formação dos novos cientistas, pois estamos falando de profissionais formados e que atuam nas pesquisas científicas em dedicação exclusiva. Os pós-graduandos são fundamentais para o desenvolvimento dos projetos e sem eles a Ciência brasileira morrerá.

Por essa razão, alertamos em artigo recente sobre a necessidade de rever os valores das bolsas de estudo que estão há 9 anos sem reajustes e em valores muito baixos para profissionais de diferentes áreas. Agora, além dos baixos valores, a ameaça de atraso nos pagamentos.

A Ciência brasileira tem vivido quatro longos anos de intempéries e precisa voltar à estabilidade. O futuro depende dos profissionais bolsistas, serão eles a chefiar as pesquisas, desenvolver a ciência, a tecnologia e auxiliar o país a sair da situação de atraso em que se encontra em seu desenvolvimento econômico e social.

A frase-título do texto de hoje foi estampada em um cartaz durante uma manifestação em São Paulo, contra a ameaça da suspensão do pagamento das bolsas. Um dia de muitas manifestações em diversas localidades. Com poucas palavras e uma imagem, nossos jovens expressam o quanto esse governo jogou com a ignorância, esta sim a verdadeira promotora das catástrofes.

Como mostraram os nossos jovens cientistas, não podemos mais ter paciência com os desmandos de Bolsonaro e de sua equipe econômica. Precisamos ocupar o lugar de destaque e evitar a destruição que o desprezo pela Ciência pode gerar. Trata-se de por fim à violência no tratamento de instituições e profissionais que trabalham em prol do País, que foram vilipendiados durante a pandemia, mesmo tendo sido protagonistas de ações que salvaram milhares de vidas e não pararam um minuto sequer.

Ponto final para a ignorância. A catástrofe não ocupará o lugar da Ciência.

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