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Obras de arte foram vandalizadas nos ataques em Brasília

O estado do quadro As Mulatas, de Di Cavalcanti, ilustra a extensão dos danos provocados por invasores aos prédios dos Três Poderes durante a tarde do último domingo (8).

Localizada no Salão Nobre do Palácio do Planalto e avaliada em R$ 8 milhões, a tela pintada em 1962 sofreu várias perfurações, possivelmente a faca – apenas um dos muitos objetos criados por artistas brasileiros, ou presenteados por nações amigas, que foram vandalizados ou roubados durante a invasão.

Durante esta segunda-feira (9), técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional avaliavam a dimensão dos danos causados ao patrimônio cultural brasileiro.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, se reuniu na tarde desta segunda-feira com o Iphan para informar-se sobre a extensão dos estragos e dar início aos restauros.

No prédio do Supremo Tribunal Federal, o dano é potencialmente irreparável; até A Justiça, escultura de Alfredo Cheschiatti que fica na entrada do edifício, sofreu pichações.

A Bailarina, de Victor Brecheret chegou a ser dada como roubada, mas foi reencontrada em tristes condições: arrancada do pedestal por vândalos, foi deixada no chão na Câmara dos Deputados, próximo à sala de reuniões das lideranças, também depredada.

Araguaia, vitral de Marianne Peretti, de 1977, que fica no salão verde da Câmara dos Deputados, chegou a ser dada como danificada, mas avaliação posterior demonstrou, felizmente, ausência de danos maiores.

Araguaia, vitral de Marianne Peretti, de 1977, escapou sem danos do ataque dos invasores

No Palácio do Planalto, os danos foram igualmente abrangentes. A obra Bandeira do Brasil, de Jorge Eduardo, de 1995, foi encontrada boiando na água que inundou o térreo do edifício. Um quadro de José Bonifácio foi danificado com um bigode ao estilo Hitler, rabiscado com caneta esferográfica.

No terceiro andar, além do quadro de Di Cavalcanti, obras como O Flautista, de Bruno Jorge, e Galhos e Sombras, de Frans Krajcberg, também foram vandalizadas. Na obra de Krajcberg, galhos que compõem o trabalho foram quebrados e jogados longe.

Relógio construído pelo relojoeiro Balthazar Martinot foi presente a Dom João VI pela corte de Luís XIV

O diretor de curadoria dos palácios presidenciais, Rogério Carvalho, avalia que a maioria das obras pode ser restaurada, com uma exceção trágica: o relógio construído pelo relojoeiro Balthazar Martinot, presenteado a Dom João VI pela corte de Luís XIV, da França, em 1808 e que ficava no Palácio, próximo ao gabinete presidencial. A única outra peça do tipo que ainda existe está em solo francês, no Palácio de Versalhes.

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