Queda de cabelo: novos tratamentos podem recuperar os fios

A queda de cabelo pode se manifestar de diversas maneiras: fios mais finos, diminuição do volume, áreas com falhas no couro cabeludo ou uma perda mais acentuada em certos períodos. Com a introdução de novas tecnologias nos consultórios, o número de tratamentos que prometem estimular o crescimento e aprimorar a qualidade dos fios também aumentou. O PRP, lasers, fotobiomodulação, microinfusão de medicamentos e mesoterapia estão entre as alternativas estudadas, enquanto conceitos como células-tronco, exossomos e fatores de crescimento despertam expectativas sobre o futuro dessa área.

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A ampla gama de tratamentos pode criar a impressão de que existe uma solução pronta para a queda de cabelo, mas essa visão é limitada. Antes de decidir qual procedimento seguir, é fundamental compreender a situação dos fios. Eflúvio telógeno, alopecia androgenética e outras condições podem apresentar sinais semelhantes, porém suas origens são distintas.

Guilherme Triches, médico da Onne Clinic (RJ) com especialização em dermatologia clínica e cirúrgica, dermatoscopia, tecnologias a laser e tratamentos capilares, menciona que a medicina regenerativa pode atuar como um complemento ao tratamento, especialmente nos casos onde folículos ainda estão preservados.

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“A queda de cabelo é um sintoma e não um diagnóstico. Alterações hormonais, deficiências nutricionais, doenças inflamatórias ou infecciosas, uso de medicamentos, predisposição genética, cirurgias, perda de peso e períodos de estresse intenso podem estar subjacentes a manifestações semelhantes, mas demandam tratamentos distintos,” ressalta Guilherme.

A investigação normalmente se inicia com um diálogo com o paciente e a avaliação do couro cabeludo. A tricoscopia, que amplia a área e possibilita a observação detalhada dos fios, pode ajudar a identificar sinais que não são visíveis a olho nu. Dependendo da situação, o médico pode ainda solicitar exames laboratoriais ou uma biópsia.

Esse processo é crucial, pois a queda de cabelo nem sempre evolui da mesma maneira. Em algumas situações, os fios podem voltar a crescer após a resolução do fator desencadeante. Em outras, é necessário tratar uma condição que persiste afetando os folículos para evitar a progressão do quadro.

O que os tratamentos regenerativos podem oferecer

É nesse contexto que as terapias regenerativas podem atuar como aliadas no tratamento. A proposta é utilizar os folículos ainda preservados, buscando aprimorar o funcionamento dessas estruturas e características dos fios, como espessura e densidade.

Uma das opções mais investigadas é o plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP. Produzido a partir do sangue do próprio paciente, o procedimento concentra plaquetas e substâncias por elas liberadas. Pesquisas focaram seu uso em casos de alopecia androgenética e identificaram resultados positivos em certos aspectos, embora a resposta possa variar entre os indivíduos.

Por essa razão, o PRP não deve ser considerado uma solução universal para todos os casos de queda. A indicação depende das causas por trás da perda dos fios e das condições detectadas no couro cabeludo.

Outra abordagem é a fotobiomodulação, que utiliza luz de baixa intensidade, por meio de lasers ou LEDs, para estimular reações relacionadas ao funcionamento dos folículos e ao crescimento dos fios. Técnicas que provocam estímulos controlados no couro cabeludo também podem ser combinadas com outros tratamentos.

Microagulhamento, microinfusão de medicamentos (MMP) e mesoterapia também estão sendo estudados na área. Dependendo do objetivo, podem estimular a região ou facilitar a aplicação localizada de medicamentos e outros ativos.

De acordo com Guilherme, mais relevante do que acompanhar a última novidade é entender se a alternativa faz sentido para cada situação.

“A escolha depende da causa da queda, de quantos folículos ainda estão intactos, da atividade da doença e de como cada procedimento pode contribuir para o tratamento,” afirma.

E as células-tronco e os exossomos?

Quando se discutem as terapias mais recentes, é essencial distinguir o que já possui aplicação estabelecida daquilo que ainda está em fase de pesquisa. Células-tronco e exossomos têm chamado a atenção devido aos resultados que estão sendo investigados, mas ainda não substituem os tratamentos disponíveis para as diferentes causas da queda de cabelo.

Segundo Guilherme, muitas das pesquisas sobre essas abordagens ainda se encontram em fases iniciais ou foram conduzidas com grupos pequenos. Estudos mais extensos e acompanhamentos prolongados são necessários para entender melhor em quais situações podem ser utilizadas, quais resultados podem oferecer e quais cuidados precisam ser levados em conta.

No que diz respeito aos exossomos, há ainda outra questão: os produtos disponíveis podem variar em origens, composições e concentrações. Portanto, o fato de receberem a mesma denominação não garante que sejam equivalentes.

Os fatores de crescimento também fazem parte dessa discussão. Estão entre as substâncias do PRP, mas produtos comercializados sob essa denominação não necessariamente possuem a mesma composição ou respaldo científico.

Nem sempre mais tecnologia significa melhores resultados

Outro aspecto importante é o tempo. O crescimento do cabelo ocorre em um ciclo lento, e os resultados de uma intervenção não costumam ser imediatos. Assim, a avaliação deve considerar a evolução dos fios ao longo dos meses e não apenas a percepção inicial diante do espelho.

Existem também limites para o que essas terapias podem alcançar. Elas não produzem novos folículos nem recuperam estruturas que já foram completamente danificadas. A chance de resposta é maior quando há uma quantidade significativa de folículos preservados.

Nesse contexto, a medicina regenerativa pode ser parte do cuidado, mas não deve substituir o tratamento da causa subjacente. A decisão deve considerar o diagnóstico, as condições do couro cabeludo e as possibilidades que cada opção oferece.

No final, mais tecnologia não necessariamente resulta em melhores resultados. Antes de optar pelo procedimento mais recente, compreender o motivo da queda dos fios continua sendo o ponto de partida.

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