Quem convive com o diagnóstico de fibromialgia e passa a noite na cama, mas ainda assim acorda com a impressão de que não descansou, deve ficar atento: essa queixa merece cuidado. Nesse cenário, é preciso considerar tanto a dor, característica marcante da condição, quanto o sono.
Uma via de mão dupla
A fibromialgia é uma condição crônica capaz de provocar dor generalizada, fadiga, dificuldade de concentração e mudanças no padrão de sono. Uma queixa comum é o sono não reparador: a pessoa dorme, mas acorda sem se sentir recuperada. Isso pode ocorrer mesmo quando a quantidade de horas na cama parece suficiente.
Há também quem demore a pegar no sono ou desperte várias vezes durante a noite. Por isso, perguntar apenas quantas horas o paciente dorme não basta. É necessário compreender como ele se sente ao acordar. Afinal, a dor pode dificultar encontrar uma posição confortável, atrasar o início do sono e causar microdespertares.
No sentido inverso, noites mal dormidas também elevam a sensibilidade à dor. Ou seja, sono ruim e dor podem se alimentar mutuamente. Isso não significa, evidentemente, que a fibromialgia seja causada por um descanso de má qualidade. Significa, porém, que o sono deve integrar o tratamento.
Quando o problema é a insônia
Nessas situações, uma das alternativas é a terapia cognitivo-comportamental. Esse tratamento aborda hábitos, pensamentos disfuncionais e a dificuldade para dormir. Estudos conduzidos com pessoas que têm fibromialgia e insônia indicam que essa abordagem pode melhorar a qualidade do sono.
Ainda assim, o tratamento precisa ser individualizado. Cuidar do sono não dispensa a avaliação da fadiga. É fundamental observar o quadro como um todo.
Também vale acompanhar os horários de sono, verificar se os medicamentos usados para a dor interferem negativamente no descanso, observar como a dor se comporta à noite e avaliar se há necessidade de algum exame especializado para investigar outro diagnóstico.
Muitas vezes, é preciso investigar outros transtornos, como apneia do sono — cujo principal sintoma é o excesso de ronco — e síndrome das pernas inquietas, marcada por um incômodo e pela necessidade de movimentar as pernas o tempo todo.
Manter um horário regular para sair da cama, deixar o ambiente confortável e reduzir o consumo de cafeína perto da hora de dormir são medidas que podem ajudar. A prática de atividade física, contemplando alongamento, ioga e pilates, também pode fazer parte desse cuidado, mas com orientação e progressão compatíveis com a condição de cada pessoa.







