Pessoas com depressão, entediadas ou cansadas costumam comer mais, enquanto medo, dor ou tensão tendem a reduzir o apetite. Em situações de emoções negativas, é comum buscar comidas calóricas; já diante das positivas, a tendência é optar por alimentos mais saudáveis. Esse comportamento ocorre porque os alimentos influenciam as emoções, tema explicado pela médica nutróloga Dra. Andrea Pereira.
Alimentos e as emoções
De acordo com a especialista, alimentos ricos em açúcares e gorduras vêm sendo associados a padrões de comportamento parecidos com os de vícios, com efeito direto sobre a saúde mental. Estudos recentes indicam que esses ingredientes podem desencadear respostas químicas no cérebro, estimulando o consumo excessivo, o que leva a ciclos de compulsão e ao ganho de peso.
Por outro lado, comidas mais saudáveis também provocam uma resposta cerebral, favorecendo estados de calma e estabilidade emocional. “A raiva causa um aumento da alimentação impulsiva (rápida, irregular e descuidada, dirigida a qualquer alimento disponível), e durante a alegria se verificou um aumento da alimentação hedônica (a tendência para comer pelo sabor agradável dos alimentos ou porque o alimento consumido é considerado saudável)”, afirma.
Para ampliar o conhecimento sobre o assunto, a nutróloga foi convidada a listar quais alimentos se encaixam em cada caso e os benefícios que oferecem.
Calma
Alimentos ricos em complexo B, magnésio, cálcio, ômega 3 e zinco são responsáveis por trazer calma. “Destacamos entre eles: abacate, mirtilo, salmão, sementes (nozes, castanhas, amêndoas e qualquer outro fruto seco), leite e derivados, laranja, ovos, folhas verdes, ostra e peito de peru. O maracujá é uma fruta que também está associada a efeitos calmantes”, explica.
Em alerta
A cafeína é uma substância que deixa as pessoas mais alertas e acordadas e está presente no café, no chá verde e no chá preto. Além dela, há o guaraná. “Para pessoas mais sensíveis, pode prejudicar o sono”, alerta Pereira.
Xô, tristeza
“A suplementação de ômega 3 com alta concentração de ácido eicosapentaenoico (EPA), S-adenosilmetionina, metilfolato e vitamina D reduzem sintomas depressivos”, indica.
Felicidade e bom humor
Refeições ricas em carboidratos melhoram o humor e aumentam a alegria por causa da serotonina cerebral. O consumo de frutas e vegetais também eleva os níveis de felicidade e a satisfação com a vida.
Redução do estresse
“A ingestão de alimentos ricos em gordura e hidratos de carbono reduz a atividade adrenal hipotálamo-hipófise e, consequentemente, amortece a resposta ao estresse. As reações afetivas positivas imediatas aos alimentos palatáveis podem ter ação na redução do impacto do estresse”, explana. Estudos também mostram que a dieta mediterrânea suplementada com óleo de peixe reduz sintomas de depressão, estresse e ansiedade.
Energia
A energia do organismo vem, principalmente, dos carboidratos. “Eles devem corresponder a 25% das nossas refeições principais, estando presentes no arroz, pão, frutas, massas, batata, mandioca e doces. Também são importantes para a prática de atividade física. Deve-se dar preferência aos carboidratos complexos e aos produtos integrais, com maior quantidade de fibras”, aconselha.
Dormir melhor
Para ter uma boa noite de sono, Andrea indica leite, arroz, sementes (nozes, castanhas, amêndoas e qualquer outro fruto seco) e salmão. “Comer carboidratos complexos, como torradas integrais ou aveia antes de dormir. Esses alimentos desencadeiam a liberação de serotonina. As cerejas azedas são uma fonte natural de melatonina, que induz o sono”, conclui.






