Mais brasileiros podem doar sangue desde o fim de setembro. Entraram em vigor no dia 30 as novas normas do Ministério da Saúde para a doação no país, estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685, publicada em julho. A atualização reduz prazos de impedimento, inclui grupos que antes ficavam de fora da triagem e cria pela primeira vez critérios para quem usa medicamentos para emagrecer. A expectativa é ampliar o número de doadores e reforçar os estoques dos hemocentros, já que cada bolsa coletada pode beneficiar até quatro pacientes.
A mudança mais comemorada envolve quem tem tatuagem. O intervalo mínimo entre o procedimento e a doação, que antes chegava a um ano, caiu para sete dias, desde que seja possível comprovar que o estúdio segue as normas sanitárias. O mesmo prazo vale para maquiagem definitiva, micropigmentação e procedimentos estéticos invasivos, como botox, preenchimento e microagulhamento. Quando não houver como avaliar a segurança do local, a espera é de quatro meses. No caso de piercing oral ou genital, a doação pode ser feita quatro meses depois da retirada.
O uso das chamadas canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, não impede a doação. A regra exige apenas um período de espera depois do início do tratamento, de um aumento de dose ou do fim de algum efeito colateral. Quem compartilhou o aplicador com outra pessoa precisa aguardar quatro meses.
As normas também abrem espaço para quem já enfrentou doenças graves. Pessoas que tiveram câncer e estão em remissão há mais de cinco anos voltam a poder doar, com exceção dos casos de melanoma e de cânceres do sangue, como leucemia e linfoma. Quem teve tuberculose pode se candidatar dois anos após a cura completa. Pessoas com determinadas condições da tireoide, como a tireoidite de Hashimoto, deixam de ser consideradas inaptas automaticamente.
Outras alterações reduzem a espera de quem viajou ou passou por exames. Quem esteve em área com transmissão de malária ou teve contato com mata em região de risco agora aguarda 30 dias, e não mais até 12 meses, graças a um teste que identifica o parasita no sangue. Depois de uma endoscopia, o impedimento passa a ser de quatro meses. A idade também deixou de ser uma barreira para quem já tem o hábito de doar. Doadores regulares com mais de 70 anos podem continuar contribuindo, desde que estejam saudáveis e sejam aprovados na avaliação clínica.
Para doar, é preciso ter entre 16 e 69 anos, pesar pelo menos 50 quilos, estar bem de saúde e levar um documento oficial com foto. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis. A recomendação é estar alimentado e hidratado e evitar bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores. Na dúvida sobre alguma condição específica, o candidato pode procurar o hemocentro mais próximo, que faz a triagem antes de cada coleta.







