Numa noite fora do comum, a rainha Bintanath recebeu o auxílio de mulheres desconhecidas e enigmáticas durante um parto complicado. Dessa experiência, que viria a se transformar em lenda entre os Khetarenses, vieram ao mundo três crianças: Mery, Sita e Kenna. Criados em meio a riquezas e prazeres, os irmãos cresceram, cada qual com sua própria personalidade. Se Mery e Kenna eram como o sol e a lua, Sita despertava a inveja de todos por sua beleza, ainda que não demonstrasse firmeza quanto ao seu lugar no reino.
Enquanto a população se enfurece com a má conduta do reinado e com o aumento exagerado dos impostos, o grande faraó Amonmsés, famoso por seu apreço por toda sorte de pecados, adoece de maneira curiosa e fica além do alcance da ajuda de seus sacerdotes, que não descobrem o motivo do mal que o consome. Isso abre espaço para intrigas na corte e para dúvidas quanto à sucessão ao trono de Kethara.
Não importava a altura dos monumentos ou a beleza dos túmulos, Karim sabia que o destino viria para todos eles.
Longe dali, nas areias do deserto, Karim, um saqueador de tumbas das Terras Vermelhas, desperta um mal que dormia há muitos anos: um faraó poderoso cuja existência foi apagada da história e que guardava consigo segredos até então inimagináveis.
Aventura e maquinações políticas
É uma trama deliciosa de acompanhar, que combina a essência de A Múmia — longa de 1999 dirigido por Stephen Sommers — com as articulações políticas da série Game of Thrones, de George R. R. Martin.
O Príncipe do Sol, lançado em 2025 pela editora Rocco, integra uma trilogia que promete angariar muitos fãs, e a expectativa já é grande para que a sequência She Knows All The Names chegue por aqui, revelando como a autora dará seguimento ao enredo.
Naquele espaço entre a ignorância e o conhecimento, Amon construiu uma casa chamada mistério e convidou todos a passar por suas portas.
Múltiplos pontos de vista e mitologia egípcia
O livro apresenta vários pontos de vista a cada capítulo, oferecendo uma perspectiva dinâmica sobre o destino de Khetara, além de sustentar um clima de aventura que desperta a curiosidade do leitor. As “peças desse quebra-cabeça” envolto em mitologia Egípcia são entregues aos poucos, com cenas que emocionam e encantam a cada página. Existe, ainda, um lado místico na história, pois forças poderosas atuam para moldar o destino dos personagens.
Nesse primeiro volume, a construção da narrativa aparece bem elaborada, com protagonistas de diversas camadas, além de interações e diálogos interessantes. A sensação é de que nada foi escrito por acaso e, mesmo quando as decisões para a trama se mostram previsíveis, isso não retira a magia da leitura em momento algum. Além disso, a química entre os personagens dessa aventura é inegável, seja no romance, na amizade ou nas intrigas, pois todos conseguem ser carismáticos ao extremo.
A jornada dos rebeldes é um dos pontos altos, um pedacinho do livro que provoca bastante revolta pelas dificuldades que o faraó impõe à vida de cada habitante do reino que fique fora de seu palácio. A vontade de quebrar as regras é trazida de maneira realista, demonstrando que toda tomada de decisão pode gerar consequências irreversíveis aos personagens.
…as palavras em si têm grande poder. Quando dizemos alguma coisa ao mundo, em muitos sentidos, tornamos verdadeiras essas palavras. Isso está no cerne de cada maldição, de cada benção, de cada oração. O que nós dizemos cria o mundo.
Uma leitura que se tornou a segunda a ser favoritada neste ano e que merece ser recomendada demais para todos que amam uma boa fantasia regada de emoções. Só resta torcer para que o volume dois chegue às livrarias em breve.
Ficha técnica
- His Face Is the Sun
- Autor: Michelle Jabès Corpora
- Tradução: Ivanir Calado
- Ano: 2025
- Editora: Rocco
- Páginas: 480






