A aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL, na sigla em inglês), criada pela Eve Air Mobility, companhia vinculada à Embraer, ainda não obteve certificação para operar no Brasil nem em qualquer outro país.
Mesmo assim, o carro voador já acumula 2.700 pedidos, entre cartas de intenção e encomendas firmes, espalhados por oito nações.
Em entrevista ao programa “É Negócio”, da CNN Brasil, o CEO da Eve Air Mobility, Johann Bordais, declarou que os pedidos constam em 28 cartas de intenção e ordens firmes e equivalem a um montante estimado de US$ 13,5 bilhões.
Uma nova categoria de aeronave
O eVTOL não se encaixa nas categorias convencionais de helicóptero ou avião. Trata-se de um veículo 100% elétrico, com capacidade para um piloto e quatro passageiros, que conta com oito motores elétricos para sustentar o voo vertical durante a decolagem e o pouso.
Depois de atingir velocidade entre 110 e 120 km/h, os motores de sustentação vertical são desligados e a aeronave passa a voar como um avião comum, apoiada pelas asas. “Faz mais de 60 anos que as autoridades não criaram uma nova categoria” de aeronaves, ressaltou Bordais.
Custo e autonomia
Cada unidade do eVTOL deve sair por cerca de US$ 5 milhões. Apesar do preço elevado, o custo de operação é calculado em 25% a 30% abaixo do de helicópteros de padrão equivalente, que voam com dois pilotos e duas turbinas.
A autonomia atual da bateria garante alcance máximo de 80 a 85 quilômetros — o que, segundo a empresa, atende bem ao perfil de rotas de 30 a 40 km já mapeadas pela maior parte dos clientes interessados.
O sistema de recarga adota o mesmo padrão usado por carros elétricos, com carregamento rápido: a regra é de um minuto de carga para cada minuto de voo.
Infraestrutura e certificação
A certificação da aeronave está prevista para o fim de 2028, pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), com validação praticamente simultânea da autoridade americana, a FAA (Federal Aviation Administration), por meio de acordo bilateral.
As primeiras entregas devem acontecer logo após a obtenção do certificado. No que diz respeito à infraestrutura, a empresa avalia que a base de helipads já existente pode ser reaproveitada, bastando eletrificá-las para convertê-las em vertiports.
São Paulo, cidade com a maior frota de helicópteros do mundo e mais de 165 helipads, é apontada como mercado prioritário. A Revo, operadora local de helicópteros, já figura entre os clientes que aguardam o lançamento do veículo.
Perspectivas de mercado
A companhia argumenta que o eVTOL não pretende apenas substituir os helicópteros existentes, mas abrir novas rotas e novos mercados, viabilizados pelo menor custo operacional e pelo nível de ruído bem mais baixo.
Com o crescimento populacional urbano projetado — estima-se que 70% de uma população global superior a 10 bilhões de pessoas viverá em cidades nos próximos 10 a 15 anos —, a procura por mobilidade aérea urbana tende a se intensificar.






