As emissoras de televisão dos Estados Unidos voltaram a ter acesso, nesta sexta-feira (25), à cobertura dos eventos do presidente Donald Trump na Casa Branca, permitindo o primeiro acesso do pool de imprensa ao vivo para a visita do presidente chinês Xi Jinping, enquanto prossegue a disputa judicial sobre as restrições impostas à CNN, à MS NOW e ao Politico.
Na semana anterior, Trump havia banido os três veículos de comunicação do complexo da Casa Branca. Posteriormente, um juiz determinou que o governo restabelecesse o acesso.
O pool de imprensa televisiva da Casa Branca transmitiu imagens da chegada de Xi à Casa Branca para um chá no último dia da visita do líder chinês, assim como o deslocamento dos dois líderes ao Arquivo Nacional, que abriga a Constituição dos Estados Unidos.
A CNN, a ABC, a CBS, a Fox News e a NBC dividem os custos da cobertura do presidente e se alternam nessa tarefa, fornecendo imagens do pool a outros veículos de comunicação. A recusa das demais emissoras em instalar câmeras, em sinal de solidariedade, resultou na ausência de cobertura do pool nos dois primeiros dias da visita de Xi.
Trump conta com a mídia para moldar sua imagem pública e promover sua agenda, ainda que costume apresentar as organizações de notícias como adversárias políticas. Desde que reassumiu o cargo, no ano passado, seu governo adota uma postura agressiva contra os principais veículos de comunicação, incluindo a restrição do acesso ao Salão Oval e a outros espaços reservados.
Quando a cobertura conjunta foi retomada para a chegada de Xi à Casa Branca nesta sexta-feira, Trump se recusou a responder a perguntas dos jornalistas a respeito da China e do Irã, de sua proibição à mídia e de um novo e controverso anúncio de TV financiado pelos contribuintes que promove sua presidência. Mais tarde, ele agradeceu aos repórteres.
“Agradecemos a cobertura imparcial. Tem sido muito imparcial. Agradecemos por isso”, disse Trump posteriormente a jornalistas ao lado de Xi.
A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre o restabelecimento do acesso da imprensa.
Campanha sem precedentes
Trump baniu os três veículos de comunicação do complexo da Casa Branca devido a uma cobertura que ele classificou como falsa ou negativa. O acesso foi restabelecido na quinta-feira, depois que um juiz federal considerou a proibição inconstitucional e ordenou que o acesso fosse imediatamente restaurado.
A CNN, a MS NOW e o Politico entraram com uma ação contra Trump e outros integrantes de seu governo, alegando que a proibição violava as proteções da Primeira Emenda da Constituição dos EUA à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa, assim como seus direitos ao devido processo legal.
Uma coalizão de grupos de defesa da liberdade de imprensa e dezenas de organizações de notícias, incluindo a Reuters, apresentou posteriormente um parecer jurídico apoiando a ação.
Apesar da decisão provisória que restabeleceu o acesso, o tribunal ainda não resolveu a principal contestação à proibição, baseada na Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege o direito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. Os veículos de comunicação têm agora até 28 de setembro para solicitar ao juiz que mantenha seu acesso enquanto o caso segue em andamento.
Ainda que os veículos de comunicação obtenham uma liminar permanente contra a proibição, Trump poderá levar o caso adiante na justiça federal.
Trump vem conduzindo uma campanha sem precedentes contra a mídia desde que voltou ao cargo no ano passado, lançando ataques pessoais a jornalistas, negando acesso a alguns veículos e processando organizações de notícias, além de solicitar à Comissão Federal de Comunicações que retire as licenças das emissoras de radiodifusão.
Mais amigável
Na quinta-feira (24), Trump fez uma piada com os fotógrafos no Salão Oval sobre a China — que impõe censura rigorosa à mídia — ter a imprensa mais amigável, ao receber Xi na Casa Branca.
Embora a Casa Branca tenha informado ao tribunal na quinta-feira que havia restabelecido o acesso dos três veículos, a CNN e a MS NOW afirmaram posteriormente que alguns de seus jornalistas tiveram o acesso negado para cobrir a chegada de Xi ao jantar de Estado na Casa Branca, segundo o Washington Post.
Um advogado dos três veículos de comunicação, presente no tribunal nesta semana, alertou que a Casa Branca poderia tentar novamente revogar o acesso desses veículos à Casa Branca enquanto o litígio atual continua.
David Ellison, presidente-executivo da Paramount Skydance, que busca se fundir com a Warner Bros. Discovery — controladora da CNN —, participou do jantar de Estado entre Trump e Xi na noite de quinta-feira.
Críticos têm manifestado preocupações de que a CBS News, de propriedade da Paramount, esteja adaptando sua cobertura para favorecer Trump, embora Ellison tenha prometido criar um conselho de independência editorial tanto para a CBS quanto para a CNN como parte do acordo.







