A cada quatro anos, junto com as campanhas eleitorais, surge também uma velha dúvida no mercado: vale a pena investir agora ou é melhor esperar o resultado das urnas?
Na construção civil, essa pergunta ganha ainda mais peso. Diferentemente de outros setores, construir exige planejamento de longo prazo. Entre a compra de um terreno, elaboração dos projetos, aprovação, financiamento, execução e comercialização de um empreendimento, podem se passar anos. Por isso, qualquer cenário de incerteza econômica ou política tende a entrar na conta antes de uma decisão de investimento.
Mas isso significa que a construção civil para em ano eleitoral? Os números da Grande Vitória mostram que a resposta é mais complexa.
O mercado chegou a 2026 com aproximadamente 18,9 mil unidades em construção em Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana — o maior volume registrado desde 2015. Ao mesmo tempo, entre as maiores incorporadoras pesquisadas pelo Sinduscon-ES, 55% projetavam aumentar seus lançamentos em 2026. No ano anterior, essa proporção havia sido de 75%.
Existe, portanto, atividade, investimento e confiança, mas também existe cautela.
Entre os entraves apontados pelas empresas do setor aparecem a instabilidade econômica e a instabilidade política, juntamente com questões como escassez de terrenos, mão de obra e limitações urbanísticas.
E talvez esteja aí o verdadeiro efeito de um ano eleitoral.
O problema não está necessariamente na eleição em si, mas na dificuldade de prever o ambiente que virá depois dela. Um investidor precisa avaliar juros, crédito imobiliário, inflação, tributação, políticas habitacionais, infraestrutura e capacidade de consumo das famílias. Quando muitas dessas variáveis parecem abertas ao mesmo tempo, decisões maiores podem ser adiadas.
Na Grande Vitória, entretanto, existe um elemento importante: a cidade continua sendo produzida enquanto a eleição acontece.
Prédios seguem em construção, terrenos continuam sendo negociados, novos bairros recebem investimentos e projetos permanecem chegando aos escritórios de arquitetura e engenharia.
Isso demonstra que o mercado não simplesmente desliga sua chave até outubro.
Talvez a pergunta correta, então, não seja se a eleição paralisa a construção civil, mas quanto custa para o desenvolvimento urbano conviver com a imprevisibilidade.
Porque quem pretende construir consegue se adaptar a regras difíceis, custos elevados e até períodos de crédito mais restrito. O que é muito mais difícil de colocar em uma planilha é aquilo que ainda não pode ser previsto.
E, na construção civil, a previsibilidade também é matéria-prima.






