O café pode muito bem fazer parte de uma rotina saudável, mas a quantidade consumida parece fazer diferença — e isso pesa ainda mais depois dos 65 anos. Um estudo que acompanhou cerca de 10 mil mulheres ao longo de uma década identificou densidade óssea menor justamente entre aquelas que bebiam mais de cinco xícaras por dia.
As participantes integravam o Estudo de Fraturas Osteoporóticas. No decorrer do acompanhamento, os pesquisadores anotaram quanto de café e de chá cada mulher consumia e avaliaram a densidade mineral óssea média em duas regiões: o quadril e o colo do fêmur, ponto onde o osso da coxa se encaixa no quadril. A densidade mineral óssea corresponde à quantidade de minerais, principalmente cálcio, que o osso armazena: quanto menor ela é, mais frágil o osso se torna.
Consumo moderado não mostrou o mesmo efeito
Já o consumo moderado não surgiu associado ao mesmo problema. Entre as mulheres que bebiam de duas a três xícaras por dia, não houve prejuízo identificado na saúde dos ossos. A queda de densidade apareceu entre as participantes que ultrapassavam as cinco xícaras diárias.
Álcool, chá e os demais hábitos na conta
A combinação com álcool chamou a atenção dos pesquisadores. As participantes que consumiam mais as duas bebidas apresentaram resultados piores para os ossos, o que indica que outros hábitos precisam ser levados em consideração ao se analisar a relação entre o que se bebe e a saúde óssea.
Com o chá, o comportamento observado foi diferente. As consumidoras frequentes apresentaram indicadores favoráveis, associação verificada sobretudo entre mulheres com obesidade.
Uma das hipóteses levantadas para explicar esse achado está nas catequinas, compostos presentes no chá que vêm sendo investigados por uma possível participação nos processos relacionados à formação do osso e à redução da fragilidade dele.
Diferenças modestas, mas que se acumulam com o tempo
Divulgada em 2025 na revista científica Nutrients, a pesquisa encontrou diferenças que os próprios autores classificam como modestas. Ainda assim, eles ponderam que alterações pequenas podem ganhar peso quando se acumulam ao longo dos anos, especialmente em uma população já mais sujeita a fraturas e à perda de massa óssea.
Vale destacar que o estudo não recomenda que ninguém abandone o café. Trabalhos anteriores relacionam o consumo regular da bebida a diferentes benefícios, e a própria pesquisa não identificou prejuízo entre as mulheres que se mantinham nas duas ou três xícaras diárias.
Da mesma forma, o que foi observado sobre o chá não permite concluir que aumentar muito o consumo dele seja uma forma de proteger os ossos. O estudo aponta associações; não transforma bebida alguma em solução nem em vilã.
A mensagem central está na quantidade e no conjunto dos hábitos. Para as mulheres com mais de 65 anos, o café tomado com moderação apresentou um quadro distinto daquele verificado entre as participantes que passavam de cinco xícaras diárias. Na tarefa de preservar os ossos durante o envelhecimento, o equilíbrio continua valendo como medida.






