Idosa tida como morta após avalanche no Nepal é resgatada com vida depois de dez dias
Por acreditar que Chandika Kumari Shrestha tivesse falecido nas enchentes que atingiram o Nepal, sua família deu início aos rituais fúnebres. No entanto, dez dias depois, a mulher foi encontrada com vida por equipes de resgate dentro da própria casa, que havia desmoronado na devastada vila de Betrawati. Ela sobreviveu em uma pequena bolsa de ar formada entre a água e a lama.
O policial Mahendra Darnal relatou que a residência de quatro andares foi arrastada pela correnteza e ficou soterrada em meio à areia movediça. Durante as buscas, os agentes ouviram uma voz que pedia socorro. A operação de salvamento ocorreu no sábado (5), durou 45 minutos e terminou com a idosa sendo encaminhada a um hospital do exército.
Darnal explicou que a família já havia iniciado o período de luto de 11 dias, pois mantinha contato com os parentes e não havia notícias da sobrevivente. Chandika estava entre os centenas de desaparecidos de Betrawati, uma das regiões mais castigadas pela avalanche. O local segue coberto por depósitos brancos compactados, quase como concreto, e as equipes ainda trabalham para recuperar dezenas de corpos.
O mercado central e a maioria dos edifícios residenciais, muitos com até quatro andares, ficaram praticamente soterrados pelos escombros de uma torrente que varreu o vale. A tragédia faz parte de um desastre que matou mais de 1,3 mil pessoas em todo o Nepal, além de deixar milhares de desaparecidos.
As equipes de resgate, equipadas com capacetes, foram vistas cavando com pás e rastejando por entre as frestas dos prédios destruídos. Apitos eram usados periodicamente para tentar localizar sobreviventes presos nos escombros. Cinco dias antes do resgate de Chandika, 24 corpos em estado de decomposição foram encontrados na área do mercado, dentro de um prédio que abrigava uma pequena loja, conforme Darnal.
Buscas continuam uma semana após desastre
Onze dias depois que o desabamento glacial provocou inundações devastadoras, cerca de 5 mil pessoas seguem desaparecidas no Nepal.
Centenas de corpos foram arrastados pelas águas até as margens de rios distantes do distrito de Rasuwa. Em Chitwan, a centenas de quilômetros do local, houve diversas rodadas de enterros em massa para vítimas não identificadas ou em avançado estado de decomposição.
Mesmo com a esperança diminuindo, as autoridades nepalesas mantêm os trabalhos para localizar pessoas presas em túneis e sob as espessas camadas de lama que endureceram sobre as construções. Desde sexta-feira (4), três indivíduos foram resgatados dos túneis, incluindo um cidadão chinês encontrado perto do rio Trishuli, onde se estima que mais de 900 pessoas estejam soterradas.
Casos como o de Chandika mostram que a sobrevivência em condições extremas é possível. Um menino de 8 anos também foi encontrado com vida em circunstâncias semelhantes.







