CD Projekt RED usa IA em The Witcher 4, mas estabelece limite: “Não é ético”

O desenvolvimento de The Witcher 4 permanece sob a condução de mais de 500 profissionais, e a CD Projekt RED faz questão de reforçar que não pretende abrir mão desse direcionamento. Em pronunciamento recente, Michał Nowakowski, CEO do estúdio, discutiu abertamente o papel da inteligência artificial (IA) na produção do game e foi enfático: a IA funciona como ferramenta de suporte, e não como substituta do esforço humano.

“Seguimos operando essencialmente com pessoas reais, e é essa a nossa intenção: desenvolver jogos que não se afastem desse princípio. A IA é um recurso que auxilia em tarefas pontuais e pode se mostrar ainda mais útil adiante, mas não temos planos de empregar IA para produzir games completos. Não enxergamos isso como uma direção correta ou ética”, declarou Michał Nowakowski.

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A posição do líder da CD Projekt RED é objetiva: a inteligência artificial consegue acelerar determinadas etapas do processo criativo, sobretudo as mais mecânicas e rotineiras, porém não deve assumir as rédeas de produções tão complexas quanto um AAA da magnitude que o estúdio polonês costuma entregar. Na visão dele, projetos desse porte ainda exigem um cuidado artesanal minucioso, e a companhia não enxerga motivos para alterar esse panorama, pelo menos por ora.

A discussão em torno do emprego de inteligência artificial na criação de jogos está longe de ser trivial. De um lado, a tecnologia desponta como uma alternativa para tornar o desenvolvimento mais produtivo em um cenário adverso para o setor, marcado por encerramentos de estúdios e cortes de empregos nos últimos tempos. De outro, a expansão dos centros de dados voltados à IA tem elevado a procura por componentes de hardware, o que intensifica ainda mais os custos de fabricação.

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A CD Projekt RED está ciente desse contexto, no entanto mantém sua diretriz. O estúdio ocupa uma posição financeiramente mais confortável do que grande parte da concorrência, e Michał Nowakowski evidencia que não pretende abrir mão dessa solidez por uma adoção precipitada de automação. A mensagem transmitida é a de que a IA pode estar presente no fluxo de trabalho, porém com contornos bem delimitados e com o fator humano preservado no núcleo das decisões criativas.

Com um time superior a 500 desenvolvedores dedicados ao projeto, The Witcher 4 permanece como uma empreitada de proporções colossais e predominantemente artesanal. Quando o game enfim chegar às lojas, talvez se torne mais evidente em quais pontos a IA foi incorporada e onde a CD Projekt RED optou por estabelecer suas fronteiras.

A nova saga da franquia

Para aqueles que ainda não acompanham o projeto de perto, The Witcher 4 representará o começo de uma nova fase para a série da CD Projekt Red, com Ciri assumindo o papel central. O título continuará investindo em uma jornada single-player, com estrutura de RPG e mundo aberto, acompanhando a personagem em sua trajetória como caçadora de monstros.

O trailer cinematográfico inaugural já adiantou um pouco desse novo momento, exibindo Ciri aceitando um contrato em um povoado aterrorizado por uma criatura e por um rito envolvendo sacrifícios humanos. A proposta da desenvolvedora é retratar uma Ciri mais madura, ainda que em uma fase distinta daquela vista no desfecho de The Witcher 3: Wild Hunt.

Outro aspecto relevante emergiu durante a demonstração tecnológica apresentada pela CD Projekt Red e pela Epic Games em 2025. Na ocasião, Ciri surge viajando com sua égua Kelpie pela região de Kovir, local que será explorado pela primeira vez em ampla escala nos jogos da saga. A apresentação também exibiu o movimentado porto de Valdrest, além de florestas densas, multidões e novos sistemas de animação.

The Witcher 4 está em produção na Unreal Engine 5, deixando para trás a REDengine utilizada nos títulos anteriores do estúdio. A demonstração tecnológica de 2025 chegou a rodar em um PlayStation 5 a 60 FPS, embora a empresa tenha ressaltado que aquele conteúdo funcionava como uma amostra das tecnologias planejadas e não refletia o gameplay final. As ferramentas estão sendo desenvolvidas em colaboração com a Epic Games e também contarão com suporte para PC e Xbox.

O título já entrou em produção completa, etapa iniciada após o encerramento da pré-produção no fim de 2024. Mais recentemente, a própria CD Projekt confirmou que trabalha com uma previsão de lançamento para 2028. Até que a data se aproxime, porém, ainda há bastante margem para ajustes, e muitos detalhes sobre combate, exploração e sistemas de RPG seguem sob sigilo no estúdio.

A CD Projekt RED já comunicou que pretende disponibilizar toda a nova trilogia de The Witcher dentro de um intervalo de seis anos. Com The Witcher 4 chegando oficialmente em 2028, a empresa planeja encurtar o espaço de tempo entre os lançamentos seguintes, possibilitando estreias mais próximas entre The Witcher 4, 5 e 6. Caso essa estratégia seja mantida, a expectativa é de The Witcher 5 em 2030 e The Witcher 6 em 2032.

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